Movido a desafios e ávido por aprendizado, Roberto Leme de Macedo, conhecido como "General" - apelido dado por sua esposa, tem uma trajetória profissional e pessoal intensa. Versátil, ele desenvolveu habilidades múltiplas e desempenhou diversas funções ao longo da carreira de cerca de cinco décadas.
Começou, ainda adolescente, auxiliando o pai em sua livraria, trabalhou no Banco Central, na Caixa Econômica e foi analista no Banco do Brasil. Depois, decidiu empreender e abriu uma padaria e, na sequência, uma casa de seresta. Também atuou em uma escola de idiomas da família e foi auxiliar administrativo no Hospital Estadual e na Prefeitura de Bauru.
Nascido em Jundiaí e formado em direito e auxiliar de enfermagem, Roberto já havia sido assessor de vereador e da Secretaria da Administração, quando mergulhou de vez na vida pública. Passou pela Secretaria de Bem-Estar Social e na de Desenvolvimento Econômico, tornou-se diretor de Eventos, tendo coordenado e idealizado inúmeros deles na cidade.
Hoje, aos 71 anos, já aposentado, ele mantém a rotina agitada, com viagens, happy hours com amigos e encontros familiares - que incluem a esposa Maria Tereza, os filhos Gustavo, Bruno e Leandro, noras, três netas e o chihuahua Pitico. Nesta entrevista, Roberto lembra momentos importantes da carreira, conta como minimizou a falta de contato com pessoas durante a pandemia e fala sobre a importância das amizades, da família e de fazer o bem a quem precisa.
JC - Você nasceu em Bauru?
Roberto - Nasci em Jundiaí, mas vim para Bauru quando tinha cerca de 5 anos, porque meu pai era bombeiro e foi transferido para cá. Ele foi um dos pioneiros da primeira unidade do Corpo de Bombeiros da região. Na cidade, me formei em direito, constituí família e só saí para atuar profissionalmente. Meu primeiro emprego foi na livraria do meu pai, mas, aos 17 anos, fiz vestibular para medicina em Brasília, acabei não passando e fiquei lá, onde trabalhei no Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), na Caixa Econômica Federal e no quadro sem carreira do Banco Central, fazendo serviços administrativos.
JC - Depois disso, foi para onde?
Roberto - Fui transferido para o Rio de Janeiro, mas acabei voltando a Bauru e fiquei um tempo trabalhando na livraria, até passar no concurso do Banco do Brasil, em 1981, onde fiquei por 22 anos. Fui trabalhar na agência de Ribeirão Preto, consegui voltar a Bauru e, um ano depois, fui convidado para ser analista de Organização, Sistemas e Métodos (OSM) em Ribeirão. Fazia treinamento de gerentes, implantação de layout, reorganização de agência. Depois, voltei a Brasília, fui para São João da Boa Vista e Ribeirão, novamente. Quando meu sogro, Alcides Pasquarelli, dono da peixaria Pasquarelli, faleceu, retornei a Bauru para ajudar no negócio. Mas, como eu tinha um cargo alto, não consegui transferência e saí do banco.
JC - E chegou a cuidar do negócio da família?
Roberto - Acabou que não. Eu abri uma padaria na avenida Cruzeiro do Sul, em frente ao antigo prédio do DER. Eu gostava muito de seresta e fechei a padaria para abrir o Recanto do General, que recebia artistas de seresta às sextas e sábados. A casa lotava, tinha clientes fiéis e funcionou na Cruzeiro e, depois, na avenida Rodrigues Alves, em frente ao cemitério. Foram cerca de quatro anos, mas fechei por conta de reclamações sobre barulho e fui trabalhar no setor administrativo da Wizard Idiomas da Nações Unidas, que era da família.
JC - Como foi a transição para o meio político?
Roberto - Sou filiado a partidos desde 1982. Conhecia o Milton Dota Junior e fui um de seus assessores, não pagos pela Câmara, quando ele foi vereador, no início dos anos 2000. Fui, também, assessor da Secretaria de Administração no governo Nilson Costa. Nessa época, a Etec Rodrigues de Abreu tinha sido inaugurada e resolvi fazer curso de auxiliar de enfermagem. Lá, soube de um concurso no Hospital Estadual para auxiliar administrativo e passei. Após menos de um ano, a prefeitura abriu concurso na mesma função e para lá eu fui, um pouco antes de 2010. Sempre gostei de aprender coisas novas, de desafios.
JC - Como foi essa passagem pela prefeitura?
Roberto - Primeiro, fui para o Centro de Referência da Assistência Social 9 de Julho, mas, anos depois, me tornei agente do Banco do Povo, quando ele foi inaugurado, porque eu já tinha experiência na área. Lá, soube que a vaga de diretor de Eventos e Turismo da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico estava aberta e fui conversar com o secretário, na época, o Nico Mondelli e ele me chamou. Fiquei por sete anos e meio e fiz muitos eventos, em parceria com outras secretarias, o governo do Estado, o Jornal da Cidade. Fui idealizador, por exemplo, da Festa da Virada, com shows, e do Carnaval na Praça, levando bandas aos bairros. Realizei o 1.° Mister e Miss Melhor Idade, fiz casamentos comunitários e coordenei a passagem da Tocha Olímpica em Bauru, em 2016, apenas para citar alguns exemplos. Este último deu um trabalho enorme, mas foi um sucesso.
JC - Só desacelerou a rotina quando se aposentou?
Roberto - Eu me aposentei em setembro de 2017 e decidi aproveitar para viajar, curtir a família e os amigos. Na pandemia, criei o Varandico, em que fazia, com minha esposa, happy hours virtuais na varanda do meu apartamento. Colocava o nome dos amigos na mesa, preparava um petisco, uma bebida, fazia foto ou vídeo e postava nas redes sociais. Foram cerca de 500 edições, algumas, mais no final, na casa de irmã ou de amigo. Gosto de me relacionar com as pessoas e tenho uma turma de 11 amigos que se reúne todas as sextas-feiras, há 20 anos. Também faço sempre reuniões com a família e muitas viagens. Além disso, sou colaborador do grupo Quinta Voluntária, que distribui alimento e peças de roupa, às quintas-feiras, a pessoas em vulnerabilidade, na Praça Machado de Mello. Procuro fazer o bem aos outros e sinto que recebo isso de volta.
O que diz o servidor aposentado:
"Coordenei a passagem da Tocha Olímpica em Bauru, em 2016. Deu um trabalho enorme, mas foi um sucesso"
"Na pandemia, criei o Varandico, em que fazia, com minha esposa, happy hours virtuais na varanda do meu apartamento"
"Procuro fazer o bem aos outros e sinto que recebo isso de volta"