BEM ESTAR & CIA

Os cuidados especiais com o calor

Por Cleide Carvalho |
| Tempo de leitura: 5 min
Pexels
Exercícios físicos ao ar livre devem ser feitos em horários fora do pico do calor
Exercícios físicos ao ar livre devem ser feitos em horários fora do pico do calor

Uma onda de calor com duração acima de cinco dias torna as pessoas vulneráveis a uma série de problemas de saúde, de desidratação a aumento no risco de ter infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Quando a temperatura ambiente fica acima de 32°C, o corpo humano desencadeia mecanismos de termorregulação para se manter na temperatura adequada. Em geral, a recomendação é evitar a exposição ao sol entre 10h e 16h, mas, dentro dessa faixa, o pior período é a partir das 14h, quando, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ocorrem as temperaturas máximas do dia.

As temperaturas começam a evoluir para a máxima por volta de meio-dia, mas é na faixa das 14h às 16h que a radiação aumenta e as estações meteorológicas costumam registrar o pico de calor do dia - explica Andrea Ramos, pesquisadora do Inmet.

Segundo a cardiologista Cristina Milagre, do HCor, a temperatura interna de equilíbrio do corpo humano fica entre 36,5°C a 37,5°C e o máximo que ela pode alcançar é entre 40ºC e 41°C.

De acordo com Cristina, nas ondas de calor, como a que vai ocorrer em boa parte do Brasil de hoje a domingo, o melhor cenário é que o ar fique seco, porque a umidadealta dificulta a sudorese. Estudos mostram que o aumento de 1° na temperatura ambiente é suficiente para aumentar o estímulo da transpiração em 10 vezes. No geral, são desaconselhadas atividades físicas a céu aberto durante os horários mais quentes do dia. A cardiologista afirma que o melhor é praticar exercícios no início da manhã ou no fim da tarde, quando a temperatura começa a cair.

O exercício físico aumenta em até 20 vezes a taxa de produção de calor do corpo, dependendo da intensidade dele, forçando o sistema de termorregulação a manter o equilíbrio - diz Cristina.

A taxa de produção de calor é uma corrente gerada dentro do organismo pelo trabalho muscular. Essa corrente flui para a pele, para trocar calor com o meio ambiente na forma, principalmente, de suor. Quanto mais úmido o ambiente, maior a dificuldade para fazer essa troca, dificultando o resfriamento do corpo. Quando a umidade do ar está muito baixa, ocorre o contrário, um excesso de evaporação e, em geral, as pessoas não percebem o excesso de suor e essa perda de líquido favorece a desidratação. Cristina ressalta que a perda de água obriga o corpo a consumir mais oxigênio, agravando os riscos de doenças vasculares. As pessoas não infartam apenas porque uma veia entupiu, mas também pela oferta de oxigênio. Quando ocorre um desequilíbrio por desidratação, o coração tem que trabalhar mais.

Um estudo feito pelo Instituto Robert Koch, a agência pública alemã para controle e prevenção de doenças, afirma que o calor pode agravar condições pré-existentes, como doenças do sistema cardiovascular, do trato respiratório ou dos rins, e desencadear efeitos colaterais potencialmente prejudiciais para vários medicamentos.

"Pessoas com diabetes também correm maior risco de serem hospitalizados durante eventos de calor. Semelhante à doença pulmonar, esses pacientes têm capacidade de resposta termorregulatória prejudicada nos pulmões a nível vascular, como a exposição ao calor afeta a autorregulação dos vasos sanguíneos, levando a uma tendência aumentada para formar coágulos", diz o estudo. Em regiões de climas quentes, observa a pesquisa, pessoas que trabalham ao ar livre são mais suscetíveis a fibrose renal (cicatrizes nos rins) e doença renal crônica.

Cristina Milagre diz que, em geral, o ideal é tomar diariamente 35ml de água por quilo de peso, mas as quantidades podem variar de acordo com cada pessoa. A necessidade de água não é igual para todos. Essas medidas servem como orientação geral, mas o mais fácil é: olhe a cor de sua urina. Se estiver transparente, você está hidratado. Se estiver amarela, tome mais água.

A cardiologista explica que se a temperatura corporal atingir 41 graus o corpo pode entrar em colapso pelo calor e a pessoa perder a consciência, sendo necessário adotar medidas como banhos de imersão em água fria, uso de mantas frias e administrar soro por via intravenosa. Sentir tontura, sono excessivo e moleza devem ser sinais para procurar um médico.

E DORMIR?
Com o aumento da temperatura, muitas pessoas começam a reclamar que não estão dormindo bem. E a ciência já comprovou que as duas coisas realmente estão relacionadas. Um estudo holandês mostrou que os distúrbios do sono crescem 11% à medida que os termômetros sobem 1ºC em áreas externas, o percentual aumenta para 24% em ambientes internos. E um outro estudo, realizado pela Universidade de Seul, na Coreia do Sul, mostra que o aumento do consumo de remédios indutores do sono está associado à elevação da temperatura.

Mas por que, mesmo para quem gosta de calor, é mais difícil ter um sono relaxante em noites muitos quentes sem recorrer à refrigeração? A resposta está na temperatura corporal. Especialistas afirmam que, para o sono ocorrer de forma adequada, além do escuro, é preciso que a temperatura corporal diminua no início do sono. Quando a temperatura externa do corpo sobe, há mais dificuldade para equilibrar a temperatura interna, e o sono não chega.

O organismo tem um mecanismo natural para diminuir a temperatura corporal. Ele entra em ação durante a tarde e a noite. Mas essa mudança é muito pequena em termos de graus, por isso, não é possível definir uma temperatura ideal para que o sono se inicie. Veja a seguir dicas para dormir melhor.

  • Tomar um banho frio antes de deitar ajuda, porque isso tende a reduzir a temperatura do corpo;
  • Manter-se hidratado ao longo do dia e beber água fria antes de deitar ajuda a aumentar a sensação de frescor;
  • Para quem não usa ventilador ou ar-condicionado, abrir as janelas é importante para o ar fresco da madrugada entrar no quarto;
  • Usar roupas bem leves para dormir;
  • Manter o ar do ambiente umidificado durante as altas temperaturas.

Comentários

Comentários