ENTREVISTA

Confira a Entrevista da Semana com a Office manager Cláudia Salles

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Arquivo pessoal
Cláudia Salles
Cláudia Salles

Otimismo e empatia como morada

Ela tem 22 anos de dedicação ao Sindicato da Habitação (Secovi-SP) em Bauru, onde também demonstra que otimismo, empatia e o desejo de ser uma pessoa melhor a cada dia fizeram morada em sua trajetória. Office manager da instituição, que abrange 76 cidades, Cláudia Salles, 61 anos, coleciona vitórias.

Duas delas, travadas em 2011 e 2014, contra um câncer no cérebro. No meio da batalha, conheceu o movimento filosófico Pró-Vida, que busca construir um mundo melhor por meio da ampliação da consciência humana. Desde então, tem lapidado, todos dias, sua melhor versão.

O olhar empático, contudo, veio antes, com os ensinamentos dos pais, oriundos de famílias, ela conta, à frente do tempo. Nascida em Campinas, mudou-se para Bauru aos 4 anos e, aqui, cursou administração e especializou-se em marketing. Trabalhou em algumas instituições e empresas, como o Jornal da Cidade, até chegar ao Secovi, ao mesmo tempo em que se dedica, em paralelo, à organização de eventos.

Focada em fazer o bem, Cláudia também é voluntária em entidades como a Associação Bauruense de Combate ao Câncer (ABCC) e contadora virtual de histórias a idosos moradores de casas de repouso de todo o Brasil. Viúva há 18 anos, namora Luiz Carlos Acialdi, conhecido como Caio, e gosta de compartilhar o tempo livre com ele, os sobrinhos-netos e amigos. "Minha virtude mais marcante é a alegria. E, para ser feliz, é preciso ter coragem", ela explica. Leia, abaixo, os principais trechos da entrevista concedida ao JC.

JC - O que a trouxe a Bauru?

Cláudia - Meus pais nasceram e se casaram aqui, mas foram morar em Campinas, a trabalho. Nasci lá e, quando tinha quatro anos, eles decidiram voltar a Bauru. Eu me considero bauruense de coração, adoro a cidade e as pessoas que vivem aqui. Estudei nas melhores escolas particulares de Bauru, mas sempre com bolsa, por atingir a pontuação necessária nas avaliações de desempenho. Sempre fui estudiosa, assim como minha irmã, Tereza Cristina. Tivemos muito estímulo em casa. Do lado paterno, tenho uma família ligada às artes. São musicistas, pintores, escultores. Minha avó paterna me ensinou a assoviar hinos nacionais e franceses e O Guarani, recitava poemas de Castro Alves, tocava, ao piano, desde cantigas infantis até músicas eruditas. Já a família materna é de pessoas muito inteligentes, inventores em engenharia. Um primo da minha mãe, o Emyr Nunes de Almeida, criou na sua casa, em Bauru, um Observatório Astronômico, que ficou muito conhecido, para a passagem do cometa Halley, em 1985.

JC - Isso tudo a estimulou a estudar ao longo da vida?

Cláudia - Eu me formei em administração e sou pós-graduada em marketing pela FGV. E continuo a estudar até hoje, porque o mercado corporativo é muito dinâmico. Pela Universidade Secovi, que possui uma unidade física em São Paulo e inúmeros cursos online, é possível ter acesso aos estudos para aprimoramento. Quando você busca autoconhecimento e conhecimento em todos os lugares, consegue melhor desempenho pessoal, mental, espiritual e profissional, consegue ter uma qualidade de vida melhor.

JC - Depois de se formar, foi trabalhar onde?

Cláudia - No primeiro ano de faculdade, fui trabalhar no Ciesp/Fiesp. Logo depois, fui contratada pelo Jornal da Cidade para trabalhar, inicialmente, como secretária. Lá, tive importantes referências de conduta profissional, além de estar ao lado de ícones que contribuíram para eu me sentir atraída pela comunicação. Depois de fazer pós em marketing, trabalhei com marketing digital, pessoal e político. Tive oportunidade de participar da última campanha a deputado federal do doutor Alcides Franciscato. Foi a maior escola que eu poderia ter, porque foi uma das vezes em que vi que uma pessoa pode ir muito além do seu talento profissional e trabalhar em prol da comunidade, com uma conduta de valorização humana.

JC - Quando saiu do jornal, foi atuar no Secovi?

Cláudia - Não. Eu fui trabalhar como executiva do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea). Depois, trabalhei com comércio exterior, em São Paulo, quando conheci a Vera Simão, a maior cerimonialista do País. Trabalhei com ela em organização de eventos, algo que me fascina muito. Já fui contratada pelo Itamaraty e pelo Palácio do governo do Estado, que me chama até hoje, quando tem algum evento na região. E organizo os eventos do Secovi, onde estou há 22 anos. Gosto muito de organizar e fazer tudo funcionar simultaneamente para um momento existir e brilhar.

JC - Ter vencido a batalha contra o câncer duas vezes mudou sua vida?

Cláudia - Foram processos assustadores, duas cirurgias, um período enorme em UTI. Mas, na segunda vez, eu já havia conhecido o movimento filosófico Pró-Vida, fundado pelo médico Celso Charuri, que abriu meu coração e me trouxe o entendimento da plenitude da vida. Então, com as ferramentas que eu tinha, com minha força mental, dominei o que tentava me dominar. Eu tive a tranquilidade de que alcançaria a cura. Com o Pró-Vida e com terapia, passei a me conhecer e a querer ser melhor. Tento colocar amor em tudo o que faço e consigo, em grande parte.

JC - Esse processo teve relação com o voluntariado?

Cláudia - Eu já fazia antes. Aprendi em casa que só é possível chegar à felicidade quando damos felicidade. Tudo que ocorre no mundo tem uma energia e, em algum momento, ela vai trazer para você a paz ou não. Então, nossa função é buscar ser alguém um pouco melhor amanhã do que hoje. Às vezes eu consigo, às vezes, não. Mas nada me impede de tentar todos os dias.

JC - Você me parece ser uma pessoa otimista.

Cláudia - Minha mãe sempre foi muito parceira, partiu com 91 anos e viveu de forma dinâmica, além do tempo dela. Era uma mulher muito bonita, alegre, forte e positiva. E meu pai era muito inteligente e otimista. Foram exemplos grandes de conduta para eu ser o que sou hoje. Fui privilegiada por ter essa família. E tenho grande encantamento por meus quatro sobrinhos-netos, que me mostram que vale a pena ser alguém melhor.

O que diz a office manager:
"Minha virtude mais marcante é a alegria. E, para ser feliz, é preciso ter coragem"
"Quando você busca conhecimento, consegue melhor desempenho pessoal, mental, espiritual e profissional"
"Aprendi com meus pais que só é possível chegar à felicidade quando damos felicidade"

Cláudia com os sobrinhos-netos Arthur, 1 ano, e Clara, 3 anos (crédito: Arquivo pessoal)
Cláudia com os sobrinhos-netos Arthur, 1 ano, e Clara, 3 anos (crédito: Arquivo pessoal)
Cláudia com os sobrinhos-netos João, 11 anos, e Gabriel, 2 anos (crédito: Arquivo pessoal)
Cláudia com os sobrinhos-netos João, 11 anos, e Gabriel, 2 anos (crédito: Arquivo pessoal)
Cláudia com a mãe, Apparecida Salles (crédito: Arquivo pessoal)
Cláudia com a mãe, Apparecida Salles (crédito: Arquivo pessoal)
Cláudia com Nilson Costa, em homenagem recebida por ela no último dia de trabalho no Jornal da Cidade, em 1988 (crédito: Arquivo pessoal)
Cláudia com Nilson Costa, em homenagem recebida por ela no último dia de trabalho no Jornal da Cidade, em 1988 (crédito: Arquivo pessoal)

Comentários

2 Comentários

  • Giselda Genovez 26/11/2023
    Conheci a Cláudia aos 11 anos, na escola. Uma menina alegre, dinâmica e sempre simpática. Feliz em saber de sua trajetória tão rica. Deus a abençoe sempre!
  • Fábio 26/11/2023
    Quando vejo mulheres assim, penso o quanto sofrem para serem vistas como profissionais, pois os homens não se esforçam tanto assim não! Isso mostra demais o machismo que temos e que faz a mulher se sacrificar muito além do que talvez devesse, pra ser reconhecida.