HOMENAGEM

Flip homenageia Pagu, a autora que revolucionou arte e política


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Pagu - Patrícia Rehder Galvão
Pagu - Patrícia Rehder Galvão

Pagu já foi um nome escandaloso, um nome esquecido, um nome resgatado aos pedaços pela cultura pop e usado ao gosto do freguês para falar de feminismo, comunismo ou liberdade sexual. Virou música de Rita Lee e Zélia Duncan e batizou um bloco de Carnaval. Em 2023, Pagu, apelido de Patrícia Rehder Galvão, é a homenageada na Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip.

Nascida em 9 de junho de 1910 na cidade paulista de São João da Boa Vista, Galvão ganhou a alcunha quando tinha 18 anos pelo poeta e diplomata Raul Bopp, em 1928. No mesmo ano, ele também teria apresentado a jovem ao casal Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, expoentes da Semana de Arte Moderna de 1922. O encontro mudaria os rumos da vida de todos eles e do movimento modernista.

Pagu contribuiria com a identidade do movimento ao converter a vanguarda artística em vanguarda política. Lúcia Teixeira, biógrafa de Pagu, publicou um artigo em que esclarece o papel politizante de Pagu no movimento de que, inicialmente, seria apenas musa e estandarte da liberdade sexual - e alvo de fofocas, já que Oswald deixou Tarsila para se casar com a jovem escritora. "Ela e Oswald, ao aderirem ao Partido Comunista, deram tratamento literário à luta ideológica", escreve a biógrafa.

Pagu publicou em 1933, quando tinha 22 anos, o livro "Parque Industrial". Assinou com pseudônimo Mara Lobo por imposição do partido de que era militante. O crítico literário Nelson Ascher enumerou as "várias exceções" a que a obra pertence, sendo "modernista e urbano, marxista e feminista", "desabusadíssimo na linguagem" e abordando questões que eram tabu tanto para a militância comunista quanto para o leitor burguês - duas categorias em que Pagu se enquadrava.

Esconder a autoria foi apenas uma das exigências do PCB a que Pagu se submeteria. No período em que era militante, foi privada de exercer o jornalismo e se lançou a uma vida precária e a jornadas exaustivas. Depois, como membro de um "Comitê Fantasma", chegou a ter que se prostituir para conseguir informações para o partido.

A "Autobiografia Precoce" escrita pela autora não foi para se exaltar, mas para tentar explicar quem era a seu segundo marido, Geraldo Ferraz. "Paixão Pagu", título usado em algumas edições do livro, é uma longa carta em que ela conta sua relação bombástica com Oswald, com o PCB, com o governo de Vargas e até com o último imperador da China, Pun-Yi, uma amizade que lhe rendeu sementes de soja quando o vegetal não era cultivado no Brasil.

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