No último dia 20 - segunda-feira, presenciei, por volta das 17h, uma cena ridícula, absurda, acrescida de outros adjetivos qualificativos, a critério do leitor. Muitos moradores na região da Praça do Avião, Altos da Cidade, comparecem à feira livre ali instalada para efetuar suas compras e, pelo horário, normalmente frequentada por senhoras, que estacionam ao largo da calçada, adquirem seus produtos, retornando de imediato para suas conduções.
Porém, margeando a calçada há extensa faixa para ciclistas, vedando-se, portanto, o estacionamento de veículos. Demonstrando toda a sagacidade dos membros da administração do órgão encarregado da manutenção do Grupo de Operações de Trânsito, como forma de coibir abusos e cumprir a legislação de Trânsito, com palestras educativas, creio, voltadas às regras de um Estado Democrático de Direito, são olvidadas.
Mas a pândega, o ridículo constatado, decorreu que uma viatura do GOT, transitando pelo local, tinha um insigne representante da Lei, e seu órgão gestor, com o braço de fora da viatura, filmando, com um aparelho celular, os veículos estacionados na vaga dos ciclistas... Sabe-se que a Emdurb, cabide de empregos da Prefeitura, é deficitária, precisa constantemente de dinheiro para sua manutenção e suprir suas necessidades, ou vaidades, para demonstrar ser um órgão operante, mas, dentro das normas.
O curioso é que a própria Emdurb e o GOT, que se identificam como cumpridores da Lei, se esquivam das regras emanadas do Código de Trânsito Brasileiro, em seu artigo 280, § 2º, exigindo que a "infração deverá ser comprovada por declaração da autoridade ou do atente de trânsito, por aparelho eletrônico ou por equipamento audiovisual, reações químicas ou qualquer outro meio tecnologicamente disponível, previamente regulamentado pelo Contran."
Nestas autuações, portanto, deverão ser apensadas o meio da captação das imagens - isto é pelo "aparelho celular" do agente de trânsito e, não o fazendo, torna inidôneas as infrações, por falta de comprovação. É lamentável esta esdrúxula apuração, pois a saudável obstinação do saudoso e estimado vereador José Queda - idealizados da Feira Noturna, acaba sendo obstruída pelo erário arrecadador, em vã concepção, eis que a manutenção da feiras livres gera maior renda aos agricultores, feirantes, no transporte dos produtos, no emprego de mão-de-obra, e aos próprios frequentadores, merecendo que se prevaleça a vontade da maioria da benesse ocasionada pela feira, em detrimento da ausência de qualquer ciclista na área reservada.
Lembro-me de que Bauru tinha um jornalista, Antonio Molina, que tinha uma coluna chamada "Enterremos o chapéu", fazendo dele estas palavras endereçadas para a prefeita, presidente da Emdurb, diretor do GOT e a "mãozinha" avassaladora.
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