O cinema tem uma sede voraz por vampiros, que podem até alterar sua forma, mas nunca saem de moda nas telas. Tanto que só na Mostra de Cinema de São Paulo, que acontece na capital paulista até o dia 1 de novembro, são dois os longas que tomam as criaturas como personagens.
"A Mordida", do francês Romain de Saint-Blanquat, acompanha uma estudante católica que, convencida de que está em seu último dia de vida, foge do colégio rumo a uma festa que tem como anfitrião uma figura trevosa. Mas é outro título, "Vampira Humanista Procura Suicida Voluntário", que finca suas presas no tema de forma mais escancarada.
Uma daquelas gratas surpresas da Mostra, que com sua seleção que ultrapassa os 300 filmes tem títulos menores que conseguem se firmar como destaques apenas pelo boca a boca, o longa canadense é deliciosamente despretensioso, distante das narrativas mais cabeçudas que formam a parte mais estrelada desses eventos.
Nem por isso deixa de ter algo a dizer. Por meio do encontro entre a comédia romântica e o "coming of age", subgênero sobre as agruras e os prazeres do amadurecimento, "Vampira Humanista" faz uma leitura afiada e leve de uma juventude caída em desilusão, inconformada com o mundo à sua volta, embora melancólica demais para reagir.
Dirigido por Ariane Louis-Seize, o filme foi premiado no Festival de Veneza com quatro láureas paralelas, incluindo a Jornada do Autor, destinada a produções independentes de cineastas em início de carreira.
"Vampira Humanista Procura Suicida Voluntário", como seu título sugere, bebe do absurdo para narrar a história de uma vampira que não consegue matar.
Será apresentado neste domingo (29), às 15h30, no Espaço Itaú de Cinema - Augusta. Já na segunda (31), às 19h, na Cinemateca. Classificação 14 anos. Direção Ariane Louis-Seize