O universo dos quadrinhos na cultura pop constrói heróis e vilões. Ele nos ajuda a pensar sobre o que é extraordinário no ser humano. A primeira advogada do Brasil propôs a modernização das leis do Estado antes mesmo da criação do Supremo Tribunal Federal. Era Esperança Garcia.
Ela morou no interior do Piauí no século 18, teve pelo menos um casal de filhos, ia à missa aos domingos, quando podia, enquanto seus direitos eram cerceados pela escravidão. Agora é possível testemunhar a história da jurista nas páginas pretas e brancas de "A Voz de Esperança Garcia", HQ recém-lançada.
Hoje considerada heroína, Garcia endereçou uma carta à coroa portuguesa para reivindicar melhores condições de vida e escapar do capitão Antônio Vieira do Couto, branco famoso por torturar negros escravizados, inclusive o próprio filho de Esperança.
O manuscrito foi feito em 6 de setembro de 1770. Ou seja, seis nos antes da Independência dos Estados Unidos (1776). O enredo do gibi é ambientado a 280 km da capital Teresina, onde hoje fica a cidade de Nazaré do Piauí, com 6.665 habitantes. É ali que a protagonista ri, chora, ora, sente saudades e busca formas de aproveitar esses sentimentos em sua defesa.
Do outro lado, capitão Antônio, o antagonista, não partilha das mesmas habilidades da advogada. Sua personalidade remete a integrantes da galeria de vilões a cultura pop dos últimos 80 anos. Como o Coringa, arquirrival do Batman, e Darth Vader.
Parceria da livraria Quinta Capa Quadrinhos com o projeto Rumos, do Itaú Cultural, "A Voz de Esperança Garcia" ganhou 2.000 impressões. Parte está disponível para a venda no site da livraria. A outra foi doada a escolas públicas, bibliotecas, e quilombos do Piauí e Maranhão. Também é possível baixar a edição de forma gratuita (em http://avozdeesperancagarcia.quintacapa.com.br). É recomendada para crianças a partir dos dez anos.