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ChatGPT pode substituir moderadores humanos no ‘esgoto das redes sociais’

Por FolhaPress |
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Divulgação
O ChatGPT é um sistema de chatbot gratuito, ou seja, um chat de inteligência artificial
O ChatGPT é um sistema de chatbot gratuito, ou seja, um chat de inteligência artificial

O chefe-executivo da OpenAI (empresa por trás do ChatGPT), Sam Altman, costumava responder que os moderadores de conteúdo em redes sociais seriam os primeiros a ser substituídos pela inteligência artificial, quando era questionado sobre os empregos que a tecnologia iria tomar.

Ele falava dos trabalhadores que excluem publicações violentas ou sobre assassinatos, pedofilia e outros absurdos do chamado "esgoto das redes sociais". Esse serviço foi eleito como o pior bico online por trabalhadores freelancers brasileiros ouvidos por uma pesquisa do DiPLab (laboratório europeu que estuda trabalho na internet). No ramo, casos de estresse pós-traumático são frequentes em função do forte teor das imagens, textos e áudios que precisam ser denunciados.

A especulação se provou um plano em agosto, quando a OpenAI anunciou que o ChatGPT, ou melhor, o GPT-4 modelo de linguagem por trás do chatbot mais famoso da internet era capaz de moderar conteúdos.

Os moderadores dessa linha de frente se candidatam a esses cargos em plataformas de gerenciamento de trabalho remoto, que funcionam como um Uber de bicos digitais - preencher planilhas, transcrever áudios, traduzir textos e denunciar publicações abusivas.

A pesquisa do Latraps (laboratório europeu focado em pesquisa sobre trabalho na internet) "Quem são os trabalhadores por trás da inteligência artificial?" mostra que há brasileiros moderando conteúdo e demonstrando insatisfação. O estudo foi conduzido no Brasil pelo professor de psicologia do trabalho da UEMG (Universidade Estadual de Minas Gerais), Matheus Viana Braz.

Um desses trabalhadores encontrados pela reportagem foi Paulo (pseudônimo), 24 anos, que avalia desde 2019 se publicações em Facebook, Instagram e outras redes sociais estão de acordo com as políticas das plataformas. "Já vi posts com conteúdo obsceno, vídeos e fotos de acidentes, assassinatos e até pedofilia", diz.

Entre os trabalhadores de plataformas de bicos online brasileiros, a parcela de pessoas com ensino superior completo fica acima da média da população brasileira: 43% contra 24%.

Essa atividade na ponta seria a parte feita pelo GPT-4. A inteligência artificial é capaz de interpretar regras e nuances durante o exercício de moderação, e se adaptar prontamente a mudanças nas normas. Isso, segundo publicação no blog da OpenAI, que negou os pedidos de entrevista da Folha de S.Paulo.

Mesmo sendo crítico a automatização do trabalho humano sem contrapartidas, Matheus Viana Braz afirma que essa aplicação da inteligência artificial pode trazer benefícios. "Se a IA generativa, como a do ChatGPT, diminuir essa demanda, ainda que em sua fase inicial, teremos um avanço considerável."

A própria OpenAI, contudo, afirma que o GPT-4 não vai retirar todas as pessoas da linha de produção da moderação de conteúdo. "Como toda e qualquer aplicação de IA, será necessário monitoramento e verificação humana de todo o processo."

Ronaldo Lemos, colunista da Folha e cientista-chefe do Instituto Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS-Rio), vai além: "a inteligência artificial não vai substituir a moderação de conteúdo e sim criar mais demanda por esses serviços."

Lemos lembra que a própria OpenAI tem contratado pessoas em vários lugares do mundo, países africanos e Brasil inclusos, para classificar, treinar conteúdo, para procurar por respostas que sejam infringentes a questões de violações de direitos e assim por diante. Por outro lado, empresas como a própria Appen, que contrata os serviços do produtor de audiovisual Paulo, diz em seu blog que usa inteligência artificial para acelerar o trabalho de moderação em redes sociais. Porém, assim como a OpenAI, a plataforma de freelancers reitera a importância de manter humanos no elo de verificação.

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