Ex-presidente da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab), o coronel aposentado da Polícia Militar (PM) Alexandre Canova afirmou nesta quinta-feira (28) à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara, presidida pela vereadora Estela Almagro (PT), ter sido pessoalmente vetado pela prefeita Suéllen Rosim (PSD) de divulgar levantamentos relacionados às controvérsias do valor da dívida da Cohab com a Caixa Econômica Federal (CEF).
Foi a primeira aparição pública do coronel desde que ele deixou a companhia que já havia presidido na década de 1990 e para a qual retornou no primeiro ano do atual governo, em 2021.
Canova saiu no final do ano passado, em 31 de outubro, e foi sucedido por Everson Demarchi, ex-secretário de Finanças, que segue à frente da Cohab ainda hoje.
E foi também a primeira oportunidade de Canova explicar os motivos que o levaram a pedir demissão - informação que revelou nesta quinta, uma vez que interlocutores do governo já chegaram a dizer que o coronel havia sido demitido.
Canova encaminhou em 28 de setembro do ano passado uma carta à prefeita renunciando ao cargo. O documento foi entregue à Comissão de Fiscalização e Controle e divulgado à imprensa.
O governo tentou reverter a medida: era época de eleição, afinal, e uma renúncia causaria turbulência numa administração cujo vice-prefeito era candidato a deputado. O mesmo valia à mãe da prefeita, que tentava uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Canova aceitou ficar na companhia por mais um mês, mas afirmou nesta quinta que se arrepende de não ter saído antes.
Na carta, Canova fez duras críticas ao governo e acusou Suéllen de tentar interferir politicamente na Cohab - o que só não aconteceu, segundo ele, "face às minhas posições contrárias". Uma das medidas de ingerência, revelou o ex-presidente, estava na indicação do ex-procurador geral de Bauru Marcelo Castro a um cargo na companhia.
O objetivo da prefeita com a mudança, diz ele, era nomear seu assessor de gabinete, o advogado Daniel Fernandes de Freitas, para o cargo máximo da Procuradoria-Geral. "Nesse caso, a senhora me pediu segredo e, nessa condição, em correspondência pessoal, manuscrita e reservada, respondi-lhe da impossibilidade", afirma a carta.
Daniel é pivô de uma crise no governo desde que a ex-secretária de Educação Maria do Carmo Kobayashi afirmou, também à vereadora Estela Almagro, que o advogado interferia diretamente nos trabalhos da pasta. A declaração de Canova sobre o veto à divulgação de controvérsias sobre o acordo reforça o depoimento de seu ex-assessor Newton Felão, que acusou Daniel de atuar a favor dos interesses da Caixa Econômica Federal nas reuniões realizadas em Brasília com a cúpula da instituição financeira.
A situação de Canova à frente da Cohab, avaliam vereadores, foi de fritura. Sobretudo após a queixa do coronel aposentado sobre uma reunião no Distrito Federal que discutiu a dívida da companhia e da qual ele só soube por uma reportagem no JC. "O secretário de Finanças me pediu desculpas, mas o problema já tinha sido feito", lamentou.
Em nota à imprensa, a Prefeitura de Bauru afirmou que o ex-presidente Alexandre Canova "deu uma importante contribuição ao município no período em que foi presidente da Cohab, durante um ano e dez meses". E disse, com relação aos cargos em comissão, que a nomeação e exoneração é de prerrogativa exclusiva do Poder Executivo.
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2 Comentários
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Teo 29/09/2023A coisa tá feia! A coisa tá feiaaaaa! -
Tati 29/09/2023Mas e a transparência, prefeita? ?????????????????????????????????