POLÍTICA

Brasil precisa de política de Estado, não de mandatos, diz presidente da CUT-SP

Por André Fleury Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Guilherme Matos
Raimundo, Wellington; Izabel; Mariuze; Jesus; Geraldo; Luciano; Marli e Flávio; Camila e Felipe
Raimundo, Wellington; Izabel; Mariuze; Jesus; Geraldo; Luciano; Marli e Flávio; Camila e Felipe

Mais novo presidente da Central Única dos Trabalhadores de São Paulo (CUT-SP), o químico Raimundo Suzart defende a implementação de políticas de Estado no País, e não de mandatos, que se alternam a cada quatro anos.

Suzart esteve em Bauru nesta segunda-feira (18) num encontro realizado por lideranças sindicais em homenagem aos 40 anos da CUT, com debates sobre conjuntura econômica e nacional e reforma sindical.

Ele compareceu também à Câmara Municipal, onde discursou na tribuna livre antes do início da sessão.

"A gente fala muito em discutir salário. Mas não é só isso. Precisamos discutir a sociedade. Os desafios que o jovem enfrenta para se capacitar e se inserir no mercado de trabalho. É debater o feminicídio, a xenofobia", defendeu Raimundo na tribuna do Legislativo.

Para Suzart, no entanto, a problemática em torno dos aposentados e da previdência é o maior desafio atual. "Temos uma população que está envelhecendo e se não nos mobilizarmos enfrentaremos dificuldades semelhantes às do Chile, do Japão", alertou.

O presidente anunciou, por exemplo, que a CUT-SP lançará dentro de algumas semanas a Secretaria do Aposentado e do Pensionista, que vai centralizar estudos por melhoria na qualidade de vida dessa parcela da população.

Raimundo criticou também a maneira como municípios historicamente trataram seus próprios regimes de previdência e afirmou que prefeituras nunca repassaram os valores corretos às fundações de aposentadoria. "Municípios são hoje os maiores devedores da previdência", apontou.

Suzart manifestou preocupação ainda com relação aos motoristas de aplicativo. Para ele, a sociedade precisa debater como fazer com que as multinacionais como Uber ou iFood, prestem auxílio a seus trabalhadores.

"Se um motorista de aplicativo sofre um acidente ele será socorrido pelo Pronto Socorro e a conta ficará para o Estado e ao município. A empresa para a qual ele trabalha não tem nenhum custo. Ela não contribui [com o Fisco], não emite nota fiscal e manda os lucros para seu país de origem", criticou.

Para Raimundo, o respeito à entidade sindical é a maior mudança percebida na relação entre poderes com a eleição de Lula ao Palácio do Planalto.

"Hoje o presidente está na ONU e as centrais sindicais vão apresentar uma carta sobre direitos humanos e geração de emprego a Joe Biden [presidente dos Estados Unidos]. Estamos vendo uma abertura para que possamos também participar do debate", afirmou ao JC antes de deixar a Câmara.

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