Existe uma palavra em inglês, que as pessoas conectadas devem conhecer bem: "doomscrolling".
"Scrolling" significa "rolar", no caso, rolar a tela do celular para baixo. "Doom" significa "danação", "condenação", "perdição". Conjugados, os dois termos se referem ao fenômeno de ficar rolando a tela sem rumo nas redes sociais, muitas vezes por horas, sem qualquer objetivo, simplesmente para ver se aparece alguma coisa capaz de alterar nosso estado emocional de ansiedade.
Nas salas de espera de médicos e dentistas parecem ser lugares ideais para esse tipo de exercício. Da minha parte, acabei me viciando em observar os outros com a intenção de descobrir, pelas reações, o que apareceu na telinha que provocou determinado tipo de reação. Ah! Oh!, Ih! E sacudidelas de cabeça para a frente e para trás.
Ao final do mês a operadora manda um demonstrativo de quantas horas por dia, em média, o cliente dispendeu com esse "novo normal". Com certeza são mais de quatro horas de vida perdida, a cada dia, como dizem os conservadores. Sou até mais otimista. As tecnologias estão cada vez mais presentes no nosso dia, são cada vez mais indispensáveis, mais centrais à nossa vida. Impossível ficar de fora.
Outro dia ouvi de um jovem casal amigo que eles estão tentando combinar seus "algoritmos". A criação da palavra e do conceito vêm de um matemático árabe, fundador da álgebra. Algoritmo seria um conjunto de passos simples e determinados que, aplicados de forma sistemática, conduzem à solução de um problema. Um algoritmo pode ser visto como uma receita para atingir um dado resultado, receita essa que pode ser executada por um ser humano ou por um computador.
Um dos mais simples é o algoritmo da adição, que todos aprendemos na escola primária. Usando esse algoritmo, qualquer pessoa pode facilmente somar dois números, por maiores que eles sejam, usando a sequência de passos ensinada pela professora.
Para cada problema, poderá ser projetado um algoritmo que o resolva. Existem algoritmos que resolvem problemas que afetam mais diretamente e de forma mais complexa a vida de cada um. Por exemplo, existem algoritmos que conduzem veículos, que compram e vendem ações, que identificam qual o melhor candidato para um encontro romântico, que controlam o disparo de um míssil, que sugerem quem deve ser promovido ou contratado, que identificam pessoas propensas a câncer, que determinam o risco de uma pessoa ser terrorista ou qual o melhor bairro para se viver, e quanto custa.
A grande preocupação, até dois anos atrás, falava sobre o perigo de deixar decisões importantes para serem tomadas por esses programas. Os cenários de as máquinas se virarem contra a humanidade, tão populares nos filmes de ficção científica, são, pelo menos por enquanto, completamente irrealistas.
Nesta segunda fase entra a Inteligência Artificial (IA), que atua na reprodução de padrões de comportamentos semelhantes aos humanos por dispositivos e programas computacionais. IA pode criar máquinas que possam operar no mesmo nível de capacidade cognitiva (de conhecimento) que os homens ou até superá-los em alguns casos.
Semana passada, intelectuais norte-americanos, inclusive um Prêmio Pulitzer, ingressaram com ações contra a Meta, dona do Google, por violação de direitos autorais. Eles acusam a empresa de usar indevidamente as suas obras para treinar o software de inteligência artificial chamada Llama. O cliente encomenda um texto sobre literatura e o programa o entrega em linguagem e estilos absorvidos dos grandes autores.
Professores norte-americano da high-school já desistiram de ficar vigiando os alunos e checando se os textos das aulas de literatura são produtos da IA e não da suas cabeças. A tarefa agora, realizada em classe, consiste em cada um pegar o texto da Llama e reproduzi-lo com outras palavras, outras ideias.
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