A Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura a compra do material Palavra Cantada aprovou nesta quarta-feira (30) a solicitação da vereadora Chiara Ranieri (União Brasil) pela quebra de sigilo telemático do servidor Fábio Schwarz, diretor de departamento da Educação e o primeiro a ter contato com representantes da editora Movimenta, responsável pela venda do material Palavra Cantada.
O pedido ainda precisa ser encaminhado ao Poder Judiciário, que pode autorizar ou rejeitar a solicitação.
As conversas iniciais entre Fábio e a editora aconteceram através de mensagens no WhatsApp pessoal do servidor. Fábio, no entanto, apagou as conversas - o que levanta suspeitas entre os membros da CEI.
A comissão, no entanto, rejeitou o pedido que autorizaria uma condução coercitiva contra a ex-secretária de Educação Maria do Carmo Kobayashi, titular da pasta na época da compra do material.
A ex-secretária afirma que não concordou com a aquisição e apontou que houve interferência do gabinete da prefeita na aquisição dos livros, que custaram R$ 5,2 milhões e ainda não foram totalmente implementados na rede municipal de ensino.
Autora das solicitações, a vereadora Chiara Ranieri afirmou antes da votação que as medidas que pediu são "imprescindíveis para a continuidade dos trabalhos".
O vereador Mané Losila (MDB) foi o primeiro a se opor ao pedido de condução coercitiva. Ele afirmou que Kobayashi já contribuiu suficientemente com a CEI, ainda que através de documentos encaminhados à Comissão de Fiscalização e Controle.
Acompanharam o emedebista os vereadores Serginho Brum (PDT) e Markinho Souza (PSDB), presidente da CEI. Júnior Lokadora (PP) e Chiara Ranieri foram os únicos a votar favoravelmente aos dois pedidos.
Para eles, a diferença entre as versões de Maria do Carmo Kobayashi, que apontou ingerência do gabinete nos trabalhos da Educação, e de Fábio Schwarz e Daniel Fernandes de Freitas - assessor da prefeita - negando a acusação da ex-secretária criava a necessidade de um novo depoimento de Maria do Carmo.
Kobayashi entregou à Câmara documentos comprovando que a aquisição dos kits pedagógicos Palavra Cantada era tratada como urgente pela Secretaria de Educação de Bauru e constava em uma tabela chamada "pendências prioritárias", lista que elencava menos de 10 processos. As conversas mostram também que o governo pagou rapidamente a primeira de duas parcelas relacionadas à compra do material Palavra Cantada, que custou R$ 5,2 milhões e que demorou quase um ano para começar a ser implementado.