CRIME

Crimes foram premeditados, avalia sobrevivente de tragédia em Bauru

Por Larissa Bastos | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Larissa Bastos
Mãe e filho foram velados na tarde desta terça-feira, no Centro Velatório São Vicente, em Bauru
Mãe e filho foram velados na tarde desta terça-feira, no Centro Velatório São Vicente, em Bauru

O homem de 63 anos que sobreviveu à tragédia familiar registrada na noite desta segunda-feira (28), em uma casa na Vila Nipônica, em Bauru, acredita que o autor dos disparos, seu sobrinho João Vitor Fontes Pompiano, de 22 anos, morto pouco depois em confronto com o 13.º Baep, premeditou a data do crime. Isso porque, exatamente 8 anos antes, em 28 de agosto de 2015, a vítima José Alves Leite perdeu seu outro filho, Tiago Jefferson Noé Leite, de 22 anos, em um acidente de moto na Vila Seabra. Agora, o triste dia também marca o óbito de sua esposa Marly Fontes Noé Leite, de 62 anos, e de seu primogênito Diego Jefferson Noé Leite, de 34 anos.

"Ele fez uma coisa tão premeditada que cometeu essa barbaridade no dia que completou 8 anos que meu outro filho faleceu, em 28 de agosto. Fiquei seis meses chorando, eu e ela (Marly). Agora, foram os dois e eu fiquei só. Então, eu tenho muito para chorar. Ainda estou anestesiado. A gente viu ele (João Vitor) nascer, ajudou a cuidar. Ele morou dois meses com a gente depois que meu filho faleceu", lamenta o aposentado, bastante emocionado, sem saber apontar a motivação do crime. A possível causa será apurada pela Polícia Civil.

Horas antes da tragédia, José e Marly tinham levado Diego (que trabalhava como segurança no Hospital de Base) ao médico para ele retirar o gesso de um de seus pés - quebrado cerca de um mês antes - e colocar bota ortopédica. Por causa da fratura, ele não conseguia encostar o pé no chão e, por isso, usava cadeira de rodas naquele período.

"Quando estávamos saindo, ele (João Vitor) passou aqui e perguntou: 'Precisa de ajuda, tio?', mas não precisava. Quando voltamos do médico, ele chegou em casa logo depois. A Marly foi na padaria comprar pão, presunto, queijo, para fazermos um lanche. Ele disse que não queria, que estava com dor de cabeça", lembra José.

"Esse menino (Diego) teve hiperatividade na infância. Na época, tinha condições de manter a casa só com meu salário. Então, ela (Marly) saiu do trabalho e fez o ano inteirinho com ele na escola. Na época, não tinha inclusão social e ela ia com ele todos os dias. Eles nunca fizeram mal a ninguém. Não consigo entender".

Marly e Diego foram velados na tarde de ontem no Centro Velatório São Vicente, na Praça Dom Pedro, e sepultados no mesmo dia, no Cemitério do Jardim Redentor.

Não foram divulgadas, até o fechamento desta edição, informações sobre velório e sepultamento de João Vitor.

Anteontem, conforme o JC noticiou, João Vitor matou a tiros sua tia Marly e seu primo Diego, e tentou matar seu tio José. "Eu fui dormir umas 20h. Mas ela (esposa) gostava de assistir a novela das nove. Disse que acordaria para ver com ela. Mas acordei com os 'pipocos'. Achei que eram bexigas estourando. Um monte de tiros", conta José.

A vítima narra que logo que acordou, João Vitor entrou no quarto e atirou quatro vezes na direção dele, mas o revólver falhou. Eles entraram em luta corporal e o aposentado foi atingido por coronhadas na cabeça e socos na boca. A arma chegou a cair no chão, momento em que o sobrinho tentou dar um mata leão. "Até que falei: 'Senhor, tenha misericórdia. Tira esse espírito ruim daqui'. E ele me soltou, para tentar pegar a arma do chão. Nessa hora, eu saí e tranquei a porta por fora".

Contudo, José ainda não sabia a situação de sua esposa e filho. Marly estava caída no chão e Diego foi atingido sentado em uma cadeira de rodas. "Para mim, o negócio era comigo. Vi eles e entrei em desespero. Saí gritando, pedindo ajuda. Mas, infelizmente, eles morreram".

Pouco depois, uma guarnição do 13.º Baep chegou ao endereço e, durante a varredura no imóvel, além das duas vítimas, se deparou com João Vitor, armado, nos fundos da casa. Segundo o boletim de ocorrência (BO) e a própria PM, os policiais verbalizaram para que o homem largasse o revólver, mas ele apontou o armamento na direção da equipe, que abriu fogo. Ele veio a óbito no local.

Comentários

1 Comentários

  • Francine 30/08/2023
    Nessa Terra aqui, não sabemos os porquês de quase nada. Desejo que seu José tenha consiga ter paz no coração, apesar de tudo.