Sete de setembro de 2006. Fortaleza, Ceará. Maria da Penha Maia Fernandes, 38 anos, conhece o colombiano Marco Antônio, na faculdade de Ciências Farmacêuticas, São Paulo.
De repente, a convivência descortina comportamentos inflamados de Marco que, com o passar do tempo, assumem contornos preocupantes.
Além da mulher, as duas filhas do casal, as de 2 e 6 anos, sofrem com a violência e com o descaso do pai. O clima tenso e a sensação de vulnerabilidade se instalam pela casa, tornando o convívio insustentável.
Dizer que, no ano de 1983, políticas públicas de segurança à vida da mulher eram efetivamente colocadas em prática seria uma falácia. Maria da Penha é a metáfora triste da cultura da violência em seu extremo. A mulher que processou um país inteiro por sua apatia e desinteresse em tirar essas situações do estado da inércia. Paralelamente a isso, o feminicídio ocupa lamentável posição: a quinta maior taxa de assassinatos no mundo.
Maria da Penha enfrentou tentativas de homicídio, encarou o paquidérmico Estado na lentidão e no desinteresse pelo sancionamento da lei. Dessa forma, o feminicídio, ainda hoje, é um assunto a se discutir com responsabilidade e comprometimento em prol da segurança inviolável da mulher.
Posto isso dentro e fora de sua moradia. Por fim, precisamos enfrentar isso como um problema de todos nós, caso contrário, ruas e casas permanecerão com o perímetro do medo e do perigo.
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