BOTUCATU

HCFMB trata síndrome rara em criança com uso de prótese inédita

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HCFMB/Divulgação
Miguel e o cirurgião cardiovascular do HCFMB André Garzesi
Miguel e o cirurgião cardiovascular do HCFMB André Garzesi

Botucatu - Rara. Assim pode ser considerada a condição de Miguel, 11 anos, que, aos três, foi diagnosticado com suspeita de Síndrome de Marfan: doença considerada hereditária, atípica, e que atinge principalmente os sistemas cardiovascular, esquelético e ocular. Por meio de procedimento inédito em paciente pediátrico, realizado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB), ele recebeu uma prótese que promete melhorar a sua qualidade de vida.

O caso de Miguel chamou atenção desde o início. Além de ser uma condição de difícil diagnóstico em crianças, o pequeno paciente apresenta apenas as características clínicas. A principal manifestação cardiovascular de Marfan é o aneurisma da aorta - dilatação da principal e maior artéria do corpo, que garante que o sangue oxigenado bombeado pelo coração seja levado a todas as partes do corpo - identificado nos primeiros exames de Miguel, durante acompanhamento ambulatorial no Serviço de Cardiologia Pediátrica do HCFMB.

A infância dele foi vivida cercada de cuidados. Além do acompanhamento com equipe multiprofissional no hospital de Botucatu, a família contava com rede de apoio. "Durante todos esses anos, estávamos sempre alerta: ele podia brincar, mas não podia correr ou fazer algum tipo de esforço físico que comprometesse o coração. Se ele estava brincando demais, a escola nos avisava", conta a mãe Lilian.

O cirurgião cardiovascular do HCFMB André Garzesi explica que o tratamento de Miguel teve indicação cirúrgica desde o início. "Foi preciso aguardar que ele atingisse uma idade segura para a realização do procedimento, que envolvia a substituição da aorta por uma prótese que restaurasse suas funções cardíacas. Quando ele completou 11 anos, decidimos colocar uma prótese, nunca utilizada em um paciente pediátrico", diz.

A aorta e a válvula aórtica do paciente foram substituídas por uma prótese chamada Konect Resilia, lançada em 2020, e adquirida pelo HCFMB exclusivamente para o tratamento de Miguel. Estudos recentes mostram uso desta válvula apenas em pacientes maiores de 18 anos - o primeiro procedimento com o uso específico desta prótese em criança no mundo foi realizado pelo HCFMB de Botucatu.

"A opção pelo uso desta prótese só traz vantagens ao paciente. Além de melhora nítida da qualidade de vida e recuperação mais rápida, evita a necessidade de nova cirurgia tradicional para a troca da válvula no futuro, e não necessita de medicamentos anticoagulantes por toda vida, o que se torna fundamental para que uma criança se recupere totalmente e tenha uma vida normal", destaca Garzesi.

Miguel responde muito bem ao pós-operatório e aguarda a volta à escola, programada para daqui três meses. "Temos muita fé e agradecemos a Deus pela oportunidade que meu filho teve. Tenho certeza de que, a partir de agora, Miguel conseguirá viver a infância que nunca teve", declara o pai, André.

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