OPINIÃO

Os Trapalhões no Reino da extrema-direita


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Luís Paulo Domingues

Não restam mais dúvidas.

Fomos governados, nos últimos quatro anos, por uma quadrilha de despreparados. Não há nenhuma novidade quanto ao termo "quadrilha", afinal, são mais de 500 anos que elas vêm governando o Brasil.

A novidade está no despreparo, na burrice, no caráter de "Trapalhões" dessa turma que esteve no poder até dezembro. Os outros eram muito mais profissionais.

Os acontecimentos da semana passada (11 de agosto) falam por si. A foto com o reflexo do general naquela caixa com uma palmeira dourada dada pelo governo do Bahrein é digna de pena - lembrando que o dinheiro tinha que voltar em espécie, pra não dar rolo, mas o sujeito deixou a cara dele no reflexo da caixa.

A tal palmeira dourada não valia muito, o que gerou frustração no grupo, conforme as conversas digitais reveladas pela PF. Mas os outros itens valiam fortunas.

Segundo a imprensa, o despreparo da turma fez com que eles gastassem mais dinheiro recomprando do que vendendo um relógio caríssimo nos EUA.

Assessores do ex-presidente também se enrolaram com e-mails. Eles deletaram por volta de 17 mil e-mails da caixa de entrada, para não deixar vestígios, mas esqueceram de deletar os mesmos da lixeira. A PF já leu todos. Nem o Didi e o Dedé fariam tal trapalhada.

Existe a assinatura do advogado que recomprou o relógio nos Estados Unidos. Existe a minuta do golpe, achada na casa do ex-ministro da Justiça.

Existe o deputado da extrema-direita perguntando para o atual ministro da Justiça sobre os 277 processos que ele achou no JusBrasil - já se tornou um clássico.

Isso tudo dá uma baita saudade da antiga direita brasileira.

Dá saudade do Maluf, do Antônio Carlos Magalhães. Dá saudade até do Temer. Alguém acha que o Maluf iria se prestar a esse vexame de perguntar sobre os 277 processos que não existem?

Um sujeito desses (é o deputado André Fernandes) tem uns 20 assessores. Não é possível que não apareceu um único Zé Mané desses 20, que ganham um ótimo salário pago pelo contribuinte, para dizer: "-Deputado, não faça isso! Vai pegar mal. Pergunte outra coisa. Pergunte isso aqui, ou aquilo ali, mas não isso".

Nada. Parece que ninguém entende nada dentro dos gabinetes dessa gente.

A extrema-direita tem um senador que diz ser da Swat, mas não é. A extrema direita tem uma deputada que gravou vídeo dizendo que a Havan é da filha da Dilma, a mesma que saiu correndo na rua apontando uma arma, horas antes da eleição.

A extrema-direita tem o Roberto Jefferson, que comparou uma ministra do STF a uma prostituta e depois tacou bomba na polícia, achando que não seria preso. A extrema-direita tem deputados que perguntam para o fotógrafo da Reuters por que ele não deu voz de prisão para os vândalos do 8/01. Não dá! É o cúmulo do ridículo.

É um despreparo gritante.

"- Deputado, isso não existe! Se tem um dado, é porque vem de algum estudo!" Mais um clássico, desta vez com o ministro Silvio Almeida respondendo ao deputado Bilinsky.

Falta saber se Bolsonaro, na hipótese de receber a ordem de prisão, vai se comportar como o Lula, que se entregou à Justiça e se defendeu com seus advogados. Ou vai fugir, como vem fazendo desde sempre, entregando a cabeça dos comparsas?

"Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertarás" (João 8:32). Esse foi, por quatro anos, o mote do presidente que disse que vacina da Covid pode causar AIDS.

"Mas nada há encoberto que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser sabido"(Lucas 12:2).

Aí já entrou a Polícia Federal no meio.

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