POLÍTICA

Palavra Cantada em Bauru: ex-secretária de Educação faz entrega de áudio e prints

Por André Fleury Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Vinicius Bomfim/JC Imagens
Contrato entre a Prefeitura e a editora Movimenta, proprietária dos títulos, previa o pagamento da 1.ª parcela em até 30 dias a contar da entrega da nota fiscal
Contrato entre a Prefeitura e a editora Movimenta, proprietária dos títulos, previa o pagamento da 1.ª parcela em até 30 dias a contar da entrega da nota fiscal

A aquisição dos kits pedagógicos Palavra Cantada era tratada como urgente pela Secretaria de Educação de Bauru e constava em uma tabela chamada "pendências prioritárias", lista que elencava menos de 10 processos.

A constatação está num dossiê com conversas e prints de mensagens internas entregues nesta quarta-feira (16) à Comissão de Fiscalização e Controle, presidida pela vereadora Estela Almagro, pela ex-secretária Maria do Carmo Kobayashi, antiga titular da Educação.

Os diálogos fazem parte de um grupo "Processos Urgentes SME" e são do ano passado. A sigla SME é a abreviação de Secretaria Municipal de Educação.

As conversas mostram também que o governo pagou rapidamente a primeira de duas parcelas relacionadas à compra do material Palavra Cantada, que custou R$ 5,2 milhões e que demorou quase um ano para começar a ser implementado.

O contrato entre a Prefeitura de Bauru e a editora Movimenta, proprietária dos títulos Palavra Cantada, previa o pagamento da primeira parcela em até 30 dias a contar da entrega da nota fiscal. Ao menos é o que sugere uma mensagem de uma servidora da Educação encaminhada no grupo em 24 de agosto do ano passado. "Bom dia a todos. Saberia me informar se o fornecedor do Palavra Cantada deu uma data para a entrega ser feita? Precisamos liquidar agora em agosto essa nota", afirmou a funcionária aos colegas.

Na prática, como a nota foi emitida em 24 de agosto, o pagamento poderia ser efetuado até 24 de setembro. O segundo pagamento, enquanto isso, foi enviado à editora em 12 de setembro. Questionada na tarde desta quarta sobre os motivos do pagamento antecipado, a prefeitura não havia respondido até o fechamento desta edição.

Os diálogos do grupo "Processos Urgentes SME" mostram também uma cobrança excessiva do advogado Daniel Fernandes de Freitas, assessor de gabinete da prefeita Suéllen Rosim (PSD) e acusado pela ex-secretária Kobayashi de interferir nos trabalhos da Secretaria de Educação. Daniel chega a ser crítico em um dos áudios. Ele cobra os servidores da pasta sobre exigências feitas numa reunião do dia anterior.

"A gente combinou que ia dar a resposta ontem à tarde e estou esperando... Sei que todo mundo está atarefado, mas o gabinete também tem seus trabalhos. Não sei a parte que ninguém entendeu do que é limite aqui, que temos data limite nos processos", afirmou no áudio.

Kobayashi entregou também à Comissão de Fiscalização da Câmara uma nova carta em que responde às críticas que sofreu desde que prestou depoimento durante reunião presidida pela vereadora Estela.

Como noticiou o JC, a prefeita Suéllen Rosim (PSD) reagiu às declarações da ex-secretária e afirmou que as acusações de Kobayashi "não têm o menor cabimento em qualquer esfera possível" e disse que exonerou a professora do cargo porque ela não tinha perfil para gerenciar projetos.

"Se fui exonerada por inaptidão em gestão de obras, como pronunciou a Chefe do Executivo, expresso total concordância. A Educação não se limita às edificações vertidas em escolas. As estruturas físicas são essenciais, porém preconizo a formação humana do discente. Não poderia sequenciar no governo que se deserdou do projeto pedagógico que apresentei", escreveu Kobayashi.

Ela também criticou Fábio Schwarz, diretor de departamento da Educação que apagou as conversas de seu WhatsApp pessoal com um vendedor da editora Movimenta.

"Relembro que o servidor Fábio, por esquecimentos, já alterou versões de depoimentos prestados na Câmara. Ele também se esqueceu de tratativas importantes que conduziu e de relacionamentos havidos no âmbito profissional. Memórias, talvez, se apagam como mensagens de celular", alfinetou.

Diálogo do grupo “Processos Urgentes” sinalizam ‘urgência’ da prefeitura em pagar pelo material
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