OPINIÃO

Política monetária no caminho certo

Por Reinaldo Cafeo |
| Tempo de leitura: 2 min
O autor é diretor regional da Ordem dos Economistas do Brasil

A atuação do Banco Central (BC) brasileiro, em especial seu presidente, Roberto Campos Neto, está no caminho certo.

Primeiramente vale destacar que, durante a pandemia, o Banco Central teve a percepção correta de como estimular a economia e combater a inflação. Com o isolamento social o nível de atividade econômica caiu drasticamente e a Autoridade Monetária reduziu a taxa básica de juros, um dos instrumentos de política monetária, ao menor nível da história: 2% ao ano em agosto de 2020. Isso estimulou o consumo e o tombo da economia brasileira, devido à pandemia, foi menor do que o projetado (-3,3% em 2020).

Acontece que a insuficiência de oferta durante a pandemia, bem como devido o conflito entre Rússia e Ucrânia, desequilibrou o mercado de bens e serviços, a inflação se instalou. Diante deste cenário, o Banco Central priorizou o combate a alta de preços. A política monetária passou a ser restritiva o que fez com que a taxa básica de juros subisse gradativamente, até atingir 13,75% ao ano, mantida neste patamar por um ano.

Com o processo de desinflação em curso, na última reunião do COPOM - Comitê de Política Monetária do Banco Central, a opção foi por reduzir a taxa em 0,5 ponto percentual.

Como quatro dirigentes do Banco Central optaram por 0,25 e quatro por 0,50 ponto percentual (pp), o que obrigou o presidente da Autarquia votar pelo desempate, e sua opção foi pelo 0,50 (pp), foi gerada enorme expectativa na divulgação na ata do comitê, o que ocorreu agora. A dúvidas que se instalaram no mercado foram as seguintes: será que haverá interferência política do governo Federal nas decisões do Banco Central? Compromete sua visão técnica e sua autonomia?

A ata trouxe detalhes da leitura de do BC sobre vários aspectos da conjuntura econômica, mas o principal ponto, que era um temor dos agentes econômicos, foi esclarecido: novas altas ocorrerão, contudo, nada contundente. Isso afasta a leitura dessa possível interferência política, principalmente depois da troca de dois dirigentes do BC por indicados do governo Lula. O comportamento técnico do colegiado do Banco Central, é fundamental para que efetivamente a autonomia e independência do BC se consolidem e que a política monetária possa ser utilizada como instrumento efetivo para o combate dos desequilíbrios do mercado.

Quando não há compromisso com o rigor fiscal, tônica de governos centralizadores como o atual, a Autoridade Monetária passa ser peça fundamental para evitar que a economia desande e afete a todos.

Efetivamente a política monetária do Banco Central está no caminho certo.

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