Criados em 1985, os Conselho Comunitários de Segurança (Consegs) têm como objetivo principal estreitar laços entre a população e forças policiais para que haja solução de problemas apontados por moradores nesta área em específico, além de difundir políticas de combate ao crime nos municípios. No entanto, as dificuldades impostas pela pandemia acabaram por desestruturar o que ainda restava desta iniciativa em Bauru.
Atualmente, os quatro consegs existentes na cidade (Centro/Sul; Noroeste/ Oeste; Leste/Norte e Sudeste) encontram-se inativos, conforme informações da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP). Para que seja possível resgatá-los, o ex-vereador Primo Mangialardo, que já presidiu o Conseg Centro/Sul, iniciou contatos em vários segmentos.
Para ele, as pessoas precisam ser ouvidas. "As demandas da comunidade eram levadas à Polícia Militar e à Polícia Civil. O agentes públicos precisam ser cobrados", diz.
No entanto, na cidade que já contou com Conseg referência estadual, o desinteresse parte da própria comunidade. Quem aponta a dificuldade é o coordenador operacional interino do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI), capitão Norberto Marsola Filho.
De acordo com ele, por ser um trabalho voluntário, era difícil encontrar alguém disposto a participar de toda a logística envolvida. "A gente percebe que não há interesse da população em participar", reitera.
O problema também é admitido por Adib Ayub, que, assim como Mangialardo, já presidiu o conselho Centro Sul. De acordo com ele, representantes do poder público também não participavam mais. "Não havia mais nem local definido para reuniões. A população não tinha mais interesse", explica o ex-presidente. Ele ressalta que o conselho Centro/Sul já enfrentava dificuldades antes do início da pandemia.
Para Ayub, o esvaziamento da entidade pode ter relação com a frustração da população em não ver suas demandas atendidas e nem os responsáveis por elas. "Se não mandarem representante, não adianta nada. É preciso vir uma ordem de cima", afirma o ex-presidente.
Já o delegado Seccional Luciano Faro destaca que a participação da polícia em um conselho ativo é obrigatória. Ele, inclusive, enxerga o conselho como um facilitador do contato com a população. Destaca ainda que, ao longo dos anos, o Conseg trouxe diversas conquistas para a sociedade.
Em nota, a SSP explicou que o processo de reativação é simples, bastando que cinco voluntários da sociedade procurem o delegado e capitão das respectivas regiões e preencham as documentações necessárias encontradas facilmente no site.