Ter enxaqueca é mais comum do que se pensa. Alguns enfrentam ocasionalmente, outros todos os dias. Mas em qualquer caso, as fortes dores de cabeça diminuem a qualidade de vida e obriga aqueles que sofrem a interromper suas atividades até conseguirem alívio. Ouvidos em reportagem do jornal argentino La Nación, especialistas apontam vários fatores capazes de desencadear o problema: falta de sono, sedentarismo, ansiedade, depressão, estresse e, acima de tudo, a alimentação.
Chefe de Nutrição e Diabetes do Hospital Ramos Mejía, em Buenos Aires, Julio Bragagnolo explica que não se pode culpar um alimento específico, mas sim uma série de produtos considerados prejudiciais para células e tecidos. Segundo ele, essa lista é encabeçada pelos alimentos ultraprocessados e industrializados devido aos seus componentes químicos e aditivos.
Yael Hasbani, coach certificada em Saúde e Nutrição Holística, acrescenta que alimentos com altos níveis de açúcar e cafeína também são considerados fatores de risco, porque a abstinência deles pode causar fortes dores de cabeça devido à ansiedade gerada pelo desejo de consumi-los.
Bragagnolo recomenda uma estratégia chamada "diário de enxaquecas" para calcular a frequência das crises em relação ao que a pessoa comeu. A ideia é registrar a hora em que as dores começaram e o que foi consumido anteriormente. Assim, será possível ter uma indicação do que está fazendo mal.
Segundo a Fundação Americana de Enxaqueca, os alimentos costumam desencadear crises entre 12 e 24 horas após o consumo.
Confira alimentos ou hábitos alimentares que podem servir de "gatilho" para a enxaqueca:
- Queijo: os que são maturados apresentam altos níveis de sódio e gorduras, que desencadeiam a dor de cabeça, porque causam inflamação. Além disso, outros produtos lácteos como leite e sorvete também causam enxaquecas devido às suas altas doses de açúcar.
- Chocolate: o chocolate ao leite possui altos níveis de açúcar e gorduras. Ambos os componentes prejudicam o bom funcionamento do cérebro e aumentam o desejo de comer mais. Se o organismo não os ingere, a dor de cabeça é gerada para suprir essa carência.
- Farinha refinada: esse produto desencadeia a produção de dopamina, hormônio que gera relaxamento, e a pessoa se torna dependente de seu consumo. A falta dela provoca ansiedade e, consequentemente, dor de cabeça.
- Café: é estimulante, pró-ativo e afeta o sono. Tomá-lo em excesso pode causar falta de sono, o que, ao longo do tempo, desencadeia enxaquecas.
- Refrigerantes: entre seus componentes, destacam-se a cafeína e o açúcar. Ambos estimulam a atividade cerebral e podem causar picos de glicemia, prejudicar algumas de suas funções e causar dores de cabeça.
- Carnes vermelhas: podem causar inflamação e afetar a microbiota intestinal. E como o intestino está diretamente conectado ao cérebro através do nervo vago, este também sofre impacto.
- Bebida alcóolica: é um hábito que, a longo prazo, pode causar doenças crônicas. Além disso, tem um efeito relaxante, então, como o corpo se acostuma, passa a precisar dele cada vez mais. Quando não tem, a abstinência gera ansiedade e, consequentemente, dor de cabeça.
- Glutamato Monossódico: é uma substância presente em muitos produtos ultraprocessados. Sua função é realçar os sabores, mas em muitas pessoas desencadeia fortes dores de cabeça. Geralmente é encontrado em salgadinhos e alimentos embalados, como biscoitos.
- Falta de água: enxaqueca é um sinal de má hidratação. Isso ocorre porque o cérebro manifesta, com a dor, que precisa de água.