As convenções partidárias acontecem daqui a exatamente um ano, a partir de 20 de julho de 2024, mas caciques de legendas de Bauru costuram desde já estratégias para a disputa eleitoral do ano que vem. Ao contrário do último pleito, a principal preocupação das siglas de oposição é garantir espaço no cenário diante de uma eleição ainda em aberto, como mostrou pesquisa Ágili encomendada pelo JC e divulgada na semana passada.
Em 2020, por outro lado, já era claro a um certo ponto da disputa que o então prefeito Clodoaldo Gazzetta, na época no PSDB, havia perdido apoio de diversos segmentos - inclusive entre antigos aliados - e dificilmente caminharia rumo à reeleição. O momento agora é outro.
O grupo mais alinhado ao governo já tem um campo relativamente consolidado e até mais confortável, já que a candidata natural deste campo será a prefeita Suéllen. O setor tem na mão legendas como o PSD, MDB e agora novamente o PP - que havia desativado a comissão provisória de Bauru, que voltou à ativa nesta semana.
A composição do Progressistas segue basicamente a mesma, com a presidência da sigla sob a batuta de Dozimar Rosim, pai da prefeita Suéllen e responsável pelo diálogo político nos bastidores.
Há informações de que o MDB condicionou o apoio à prefeita no ano que vem à candidatura para vice na chapa governista. Um dos cotados para assumir a medida é o vereador Mané Losila, que não confirma e nem nega essa possibilidade.
É nítido, por outro lado, a escalada de apoio de emedebistas ao Palácio das Cerejeiras. Na Câmara, por exemplo, Losila tem rasgado elogios ao governo ao qual teceu duras críticas no ano passado, numa época de distanciamento entre a legenda e a prefeita.
Legendas da direita ou centro-direita refratárias ao governo, como o PSDB e mesmo o PL de Jair Bolsonaro, seguem discutindo opções. Ainda não há definição sobre o papel do Novo na disputa - a legenda filiou nesta semana o vereador Eduardo Borgo, ex-PMB.
Líderes partidários também discutem internamente a questão das federações - alianças de legendas que precisam atuar em conjunto. Três delas estão vigentes hoje: uma entre a Rede Sustentabilidade e o PSOL, outra entre PT, PC do B e PV, e a última envolve PSDB e Cidadania.
As duas primeiras até possuem um entendimento comum em Bauru, já que são naturalmente alinhadas à oposição ao governo Suéllen, mas a federação PSDB e Cidadania ainda não chegou a um acordo sobre o que fazer na disputa do ano que vem.
Figuras históricas do tucanato, como o empresário Caio Coube, defendem uma alternativa ao grupo governista e admitem até mesmo a possibilidade de não lançar candidatura própria.
No Cidadania, por outro lado, há divergências a essa avaliação - parte do partido não vê problemas em compor com a prefeita no ano que vem. Ao mesmo tempo, existe uma ala de ambas as legendas que prega o lançamento de uma candidatura ao menos no primeiro turno. Isso garantiria votos da legenda e facilitaria a eleição de candidatos a vereadores que disputaram pela chapa.
O médico Dr. Raul, terceiro colocado nas pesquisas, tem dialogado com lideranças do PL como o deputado federal Capitão Augusto para discutir apoio à disputa do ano que vem. E Rodrigo Agostinho, em segundo lugar, é frequentemente sondado por caciques partidários de Bauru para entrar no jogo do ano que vem. Publicamente ele nega, mas o JC apurou que essa hipótese não está completamente descartada.