Já tive casa, família, lugar seco e fofo para dormir. Hoje não sei por que estou na rua. Lembro dos carinhos de alguns e das gentilezas de outros, mas hoje vivo de favores de alguns abençoados que me dão curtos momentos de carinho e um prato de comida diário para sobreviver.
Talvez porque eu seja preto, gentil e amável, quem sabe? Eu não sei e fico a imaginar a hora que voltarei a ter o que tinha. Não sinto dores e indisposição, sigo a vida. Não sei nada do dia de amanhã.
Quem sabe contarei com o que tenho hoje, amanhã terei alguns breves momentos de conforto, mãos abençoadas que me tocando e meu prato diário de comida que saciará minha carne da fome.
Esse meu amigo que escreve me disse que queria tocar o coração de gentis pessoas de corações voltados para a vida. Está fazendo frio e procuro corações calorosos. Não sei se terei alguma chance de voltar a ter um lar e carinho, mas ele disse que tenho alguma chance e que deveria tentar.
A minha maior necessidade é de carinho. Poderia ser de comida, mas não, agora sei que o carinho e a disposição de pessoas com a minha vida é a maior riqueza que eu tinha.
Hoje caminho pela rua atrás de pessoas generosas, mas que não tem muito tempo para as minhas reais necessidades.
Ainda consigo mostrar meu orgulho e quando sinto a presença de alguém generoso, levanto bem alto meu rabinho, mostro meu lindo pelo preto e meu corpo grande e gracioso, a maioria das vezes fico deitado esperando.
Preciso fazer parte de uma família e espero que alguém ligue para meu amigo.
Miau
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