BAURU

60 anos de arte com Sonia Gabriele

Por Guilherme Matos | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Guilherme Matos
Sonia A. Gabriele
Sonia A. Gabriele

Angelina W. Messenberg é um nome que marca dois importantes momentos na vida e obra da artista Sonia A. Gabriele. Angelina foi uma das primeiras incentivadoras da pintora e batiza a Galeria que recebe a exposição "Tempos & Movimentos" - que exibe obras produzidas ao longo dos 60 anos de carreira de Sonia. A mostra conta com a curadoria de Cleide Biancardi.

A abertura da exposição ocorreu no último dia 30, às 20h. Ela fica na Galeria Angelina W. Messenberg, localizada na avenida Nações Unidas, 8-9, até o dia 22 de agosto. A exibição é realizada pela Secretaria Municipal de Cultura e pela Pinacoteca de Bauru.

"Bauru é celeiro de artistas." Com essas palavras, Sonia define a Cidade Sem Limites, que teve papel essencial na sua vida pessoal e artística. Natural de Sertanópolis (PR), ela se mudou para Bauru após se casar com um médico bauruense (Jadyr Gabriele), que conheceu em Londrina (PR) - seu marido até os dias de hoje. Aqui, encontrou incentivo tanto em casa quanto nas suas aulas com Angelina W. Messenberg. Ela descreve Bauru como "acessível e aberta às novas gerações", o que torna a cidade um terreno fértil para cultivar artistas de diversos meios. Ela cita, inclusive, Pelé - gênio do futebol -, que já foi inspiração para um de seus quadros e que começou sua carreira em um clube bauruense.

MOVIMENTOS

Sonia já desenhava e pintava na década de 60. A exposição traz obras em grafite, aquarela e a óleo neste período da juventude em que ela retratava, principalmente, seus familiares. A artista se formou em letras, mas, em determinado momento, percebeu que deveria se dedicar profissionalmente somente à pintura. "Ou assumo ou paro", pensou Sonia naquele momento.

Na exposição, é possível observar as mudanças, ou movimentos, que suas pinturas tomaram ao longo dos anos. O primeiro momento de destaque são as obras com temas mitológicos em que retrata, principalmente, figuras femininas como nos quadros "Centauras", "Antigone" e "Cariátides" - que retrata mulheres segurando o mundo.

Em seguida, vem uma fase que ela define como "Máscaras". Neste período, seus personagens usam coberturas faciais para "se esconder". Ela destacou, ao longo de toda a entrevista, que cada espectador da sua arte traz suas próprias interpretações sobre as retratações. Ela conta, então, que em uma palestra foi orientada sobre a importância do artista retratar as cenas que o cercam. Foi quando passou a registrar o cotidiano. Sonia descreve o trabalho artístico como o de um repórter - que registra, a partir de sua visão, o que está ao seu redor. Na fase seguinte, batizada de "Emoções urbanas", ela registra o cotidiano colocando sua impressão em cada quadro. Por fim, sua fase atual são os abstratos, com pinturas que não se baseiam em formas reconhecíveis da realidade. Ela utiliza cores, linhas, formas e texturas para criar uma composição visual que evoca emoções, sensações e conceitos abstratos. Agora, ela apresenta pela primeira vez seu mais recente quadro "Tempos & Movimentos". "A arte é longa e o tempo é fugaz. Cada mudança na minha vida refletia em minha obra", finaliza Sonia.

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