POLÍCIA

Com dívidas no crime, reeducandos do CPP-2 são identificados como autores de assaltos

Por Larissa Bastos | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Larissa Bastos
Investigações foram conduzidas pelo delegado Cledson Luiz do Nascimento, da Deic
Investigações foram conduzidas pelo delegado Cledson Luiz do Nascimento, da Deic

A Polícia Civil de Bauru, por meio da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), esclareceu os assaltos a duas residências do Jardim Chapadão, registrados em 15 de junho último. Na ocasião, as famílias moradoras dos imóveis vizinhos foram feitas reféns por ao menos três criminosos, que roubaram carro, dinheiro, joias, eletrônicos e até instrumentos musicais. Os dois autores identificados são reeducandos do Centro de Progressão Penitenciária 2 (CPP-2) e, no dia dos fatos, gozavam do benefício da saída temporária. Eles confessaram os crimes e sofrerão regressão de pena.

Conforme o JC noticiou, o primeiro assalto começou por volta das 19h. Segundo o boletim de ocorrência (BO), a moradora do imóvel, de 44 anos, abriu o portão da garagem para entrar de carro, momento em que foi abordada pelos criminosos, que anunciaram o roubo. Todos vestiam moletom escuro e balaclavas.

Eles invadiram a residência e levaram a mulher, seu marido de 50 anos e o filho deles, de 22, para o quarto do casal, e amarraram eles com fitas e fios. Na sequência, começaram a revirar a casa, sendo que um deles permanecia no cômodo vigiando as vítimas, enquanto outro conversava ao telefone, como se estivesse recebendo ordens. Eles exigiam dinheiro e joias.

A família foi feita refém por cerca de três horas e só conseguiram pedir ajuda quando ouviram barulho de partida de carro e do portão da garagem fechando. Os ladrões usaram o automóvel das próprias vítimas para levar os itens roubados. O veículo, depois, foi encontrado abandonado na rodovia Marechal Rondon (SP-300), próximo ao trevo de Tibiriçá.

CASA VIZINHA
Após finalizar este assalto, ainda segundo o BO, os criminosos invadiram a casa ao lado, pulando o muro com uso de uma escada. No imóvel, estava uma mulher de 42 anos e sua filha, de 17. Elas também foram rendidas e levadas para um quarto do imóvel. Com as mesmas roupas e máscara, os bandidos exigiam dinheiro.

Como as vítimas não tinham acesso ao cofre da residência, eles esperaram o marido da moradora chegar, por volta das 22h. Quando o homem entrou na casa, recebeu uma coronhada, foi rendido, amarrado e levado ao cômodo onde a esposa e a filha estavam. Sob ameaça, abriu o cofre, entregou dinheiro e outros itens. Em seguida, os assaltantes fugiram.

Quando esta família saiu para pedir ajuda, descobriu que o imóvel ao lado também tinha sido alvo dos ladrões. Acredita-se que os homens tenham roubado carro, motor de popa, mais de R$ 15 mil em dinheiro, talão de cheques, joias, óculos de sol, relógio, instrumentos musicais, iPhone e iPad, outros celulares e notebooks, televisor, tênis de várias marcas, assim como perfumes, roupas e bolsas. Além disso, cartões bancários de uma das vítimas foram usados para transferências a contas de correntistas com endereços em cidades da grande São Paulo.

INVESTIGAÇÕES
Segundo o delegado Cledson Luiz do Nascimento, durante as apurações do crime, a 1.ª Delegacia de Investigações Gerais da Deic identificou a participação de J.C.C. (somente as iniciais foram divulgadas), de 30 anos, morador do Jardim Chapadão, e M.V.A.C, de 28 anos, morador do Parque Jaraguá.

“Ambos cumprem pena por crimes de homicídio no CPP-2 de Bauru, mas gozavam do benefício de saída temporária, tendo saído no dia 13 e retornado no dia 20 de junho. Apuramos que M.V.A.C. usou no roubo um veículo emprestado de familiares e ainda repassou um dos telefones roubados a eles”, detalha Nascimento.

Então, nesta sexta-feira (7), a Deic representou junto ao Departamento Estadual de Execuções Criminais (Deecrim) para que os reeducandos fossem conduzidos à delegacia para interrogatório. “Eles confessaram os roubos e alegaram ter dívidas com o crime”, explica o delegado.

Após serem formalmente indiciados, os criminosos foram restituídos ao CPP-2, sendo que, posteriormente, a Deic oficiará a Vara das Execuções Criminais de Bauru para regressão de pena. Ou seja, para que eles retornem ao regime fechado. As investigações ainda prosseguem a fim de identificar o terceiro participante dos assaltos.

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