Muita gente lamentou que Bauru não tenha chegado aos 400 mil habitantes no censo do IBGE. Para eles, as exatas 379.146 "almas", são poucas para uma cidade que o poeta Eusébio Guerra chamou de "Sem Limites". Chegam a culpar prefeitos por administrações equivocadas, a perda da Coca-Cola, da Mondelez e até a já longínqua derrocada das ferrovias.
Bauru é muito mais importante que setores específicos da atividade econômica. Se perdemos a Estrada de Ferro Noroeste, por uma contingência nacional, ganhamos muito mais no Comércio e nos Serviços, as que mais geram empregos. O município é pequeno e por isso a agricultura, cada vez mais extensiva, aqui não encontra espaço. As grandes indústrias também não chegaram, além de serem cada vez mais raras. Em compensação, não sofremos aquelas crises que fecham fábricas e põem na rua, num só dia, milhares de operários.
A cidade cresceu sim. Pouco mais de dez por cento em doze anos e acima da média do Estado. Recebemos no período outros 35.200 moradores. Há que se considerar a presença de uma população flutuante não contabilizada pelos recenseadores, porque as pessoas foram contadas em suas cidades de origem, principalmente estudantes.
O crescimento da população brasileira nunca foi tão lento. Somos 203 milhões de brasileiros e imigrantes. Os especialistas em demografia esperavam entre 206 e 209 milhões. O Banco Mundial previa 215 milhões e 300 mil habitantes. A culpa não é só da Covid que deixou sua marca de 700 mil mortos. Há que se contabilizar a queda da natalidade e o aumento da longevidade. Entre 1940 e 1960, cada mulher tinha em média 6 filhos e hoje não chega a dois (1,6).
Deveríamos mais nos preocupar com o rápido envelhecimento populacional. A expectativa de vida do brasileiro é de 76,8 anos, e continua subindo.
Os economistas chamam de "bônus demográfico" quando o país tem mais pessoas com idade economicamente ativa - entre 15 e 64 anos -, em comparação à população inativa (idosos e crianças). Esse bônus o Brasil está deixando de aproveitar para potencializar seu crescimento econômico. Caminhamos para o "ônus demográfico", que começa a acontecer quando o número dos que não trabalham supera os que trabalham.
Como sou de uma geração pós-guerra, lamento ter envelhecido sem mesmo ver o país chegar a um padrão social de bem-estar elevado.
Resumindo: o principal fator responsável pelo encolhimento da população é a forte queda da taxa de fecundidade, resultado da entrada da mulher no mercado de trabalho e os meios contraceptivos cada vez mais eficazes. E agora vem aumentando a parcela de familiares que decidem não ter filhos. Querem viver a vida.
Há uma escola emergente do pensamento que defende precisarmos de mais pessoas. O dono da Amazon, o bilionário Jeff Bezos, previu 1 trilhão de humanos espalhados pelo Sistema Solar.
O ambientalista David Attenborough, de 94 anos, rotulou as massas humanas de "praga da Terra". Pesquisadores de Stanford indicam entre 1,5 a 2 bilhões o número de habitantes ideal para o planeta. O mundo já está com 8 bilhões de humanos. O debate, como se percebe, é fragmentado e emocionalmente carregado
Na Mesopotâmia encontraram tábuas de argila com caracteres cuneiformes de 17 séculos antes de Cristo. Numa delas os arqueólogos decifraram o seguinte aviso: "Os deuses se aborrecem com todo "barulho" criado pelas hordas humanas e decidem desencadear alguns perigos para reduzir os números com pragas, fomes, e secas em intervalos regulares". Na época das inscrições, o mundo conhecido tinha entre 27 a 50 milhões de pessoas. Platão dizia que a cidade ideal não deveria ter mais de 5.040 habitantes.
Terrível foi o clérigo Thomas Malthus que ranzinzava pelo fato das pessoas gostarem de fazer sexo. Chegaria o momento em que não haveria comida para todos. Desta última previsão salvou-nos a Embrapa.