POLÍTICA

Rodrigo diz que foco é o Ibama e não candidatura para 2024

Por André Fleury Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Joao Jabbour
O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, ex-prefeito de Bauru
O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, ex-prefeito de Bauru

Ex-vereador, ex-prefeito de Bauru por dois mandatos, ex-deputado federal e atual presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho admite a intenção de participar da eleição municipal do ano que vem, mas sinaliza que não deve ser candidato. "Estou em outro momento", aponta.

Rodrigo assumiu o instituto em fevereiro e criticou, em entrevista ao JC concedida na manhã de quinta-feira (22), a atual situação do órgão que comanda. "Temos 53% do quadro preenchido. Isso significa que temos meio Ibama", disparou.

Na conversa, Agostinho celebra os resultados recentes contra o desmatamento, conta as dificuldades e os desafios atuais e evita criticar o governo Suéllen Rosim (PSD). "Já estive no cargo dela", aponta.

A seguir, os principais trechos da conversa.

Estamos nos aproximando das eleições e o sr., que já foi prefeito duas vezes, é sondado como um dos possíveis candidatos. Isso se confirma? O sr. pretende participar da disputa de alguma maneira?

Minha cidade é Bauru, meu coração mora aí. Claro que pretendo participar de alguma forma da eleição. Mas não necessariamente como candidato, o que não pretendo neste momento. Vamos ajudar a propor um bom projeto para a cidade. Acho que cumpri uma missão importante como vereador, prefeito e deputado. Temos fases e estou num outro momento.

O PSB não integra o governo e tem feito uma oposição responsável, embora não tenha quadros na Câmara. Estamos debatendo os temas da cidade e claro que existem nossas críticas. Mas eu evito me manifestar porque já passei pela prefeitura e não sou vereador. Já tive minha vez, então prefiro deixar a prefeita tocar.

Sabemos que o sr. sofreu um abalo quando não foi reeleito no ano passado. E que desde o final do segundo turno seu nome passou a ser sondado para integrar um cargo no governo. Quando, afinal, foi formalizado o convite para presidir o Ibama?

Eu fui chamado para compor o grupo de transição do Meio Ambiente. Na Câmara eu já havia sido coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista e o presidente da Comissão de Meio Ambiente. Então nós tínhamos os dados necessários para o novo governo.

Então sabíamos tudo o que ocorria no Ministério do Meio Ambiente, Ibama, ICMBio e no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Quem me fez o convite para integrar o grupo de transição foi a ministra Marina Silva, que também me chamou para presidir o Ibama. Assumi a tarefa com muita responsabilidade.

Como estava o Ibama quando assumiu? O sr. já criticou a desestruturação do órgão, por exemplo, e há vários apontamentos de que o instituto ficou em segundo plano nos últimos anos.

Eu trabalhei no Ibama em Bauru como voluntário nos idos de 1990. Sempre tive um carinho muito grande pelo instituto, que já teve o mesmo número de funcionários da Prefeitura de Bauru. Hoje temos 53% do quadro preenchido, então temos um Ibama pela metade.

Para você ter uma ideia, temos apenas 200 funcionários para analisar todas as licenças ambientais do País. Isso inclui portos, aeroportos, usinas, desmatamento. São 3.200 processos ao todo.

Em uma outra frente, estamos analisando mais de dois mil pedidos de cadastro de agrotóxico. E há 30 servidores para isso. O Ibama chegou a ter 1.700 fiscais, e hoje eles não passam de 700. Estamos nos desdobrando. Já tivemos uma sinalização do Governo Federal de que haverá concurso, isso é importante.

Havia também muitos militares no Ibama quando assumimos. E uma deficiência total do ponto de vista operacional. A verdade é que estamos reestruturando o órgão.

O sr. trocou o lado da mesa ao assumir o Ibama. Estava no parlamento, debatendo e promovendo leis, e agora está num cargo executivo. O sr. viveu isso em Bauru, quando foi prefeito depois de ter sido vereador. Como foi essa mudança?

Tive experiências que me ajudaram a enfrentar esse tipo de desafio. Hoje sou demandado todos os dias por deputados e senadores, muitos dos quais eu conheço da época em que fui parlamentar. Mas essa tarefa de dialogar, conversar, creio ter aprendido na Câmara de Bauru. Não houve tanta dificuldade. Somos procurados constantemente. E o Ibama nem sempre diz "sim" para tudo.

Um dos problemas que a Amazônia enfrenta é o desmatamento e o garimpo ilegais. Como está esse cenário hoje?

A suspensão de muitas ações nos últimos quatro anos fizeram com que os casos de desmatamento aumentassem. Muito disso está relacionado ao garimpo e ocorre dentro de reservas indígenas.

Estamos trabalhando em 10 terras indígenas ao todo. E tivemos nesta última semana, pela primeira vez, zero desmatamento na terra Yanomami. Sabemos que ainda há garimpeiros lá dentro, então mantemos ações pontuais para expulsá-los. É difícil, muitas vezes somos recebidos com tiros, mas tem dado certo.

Temos ações integradas com a Polícia Federal para combater também os financiadores, até porque não basta combater quem está trabalhando na total informalidade e com muita dificuldade no garimpo.

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