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Fake news sobre vacinas leva temor entre famílias e preocupa

Por Agência Brasil |
| Tempo de leitura: 3 min
Pediatras afirmam que a vacina contra a Covid é a que tem gerado maior apreensão
Pediatras afirmam que a vacina contra a Covid é a que tem gerado maior apreensão

Medo de possíveis efeitos adversos e falta de confiança nas vacinas são os principais motivos que levam pais e responsáveis a negligenciar a vacinação de crianças e adolescentes. É o que demonstra pesquisa apresentada pela Sociedade Brasileira de Pediatria e pelo Instituto Questão de Ciência. Outras alegações comumente ouvidas em consultórios são o esquecimento, a falta de vacinas no serviço público e o preço das doses nos serviços privados. 

A pesquisa Hesitação vacinal: por que estamos recuando em conquistas tão importantes? ouviu cerca de mil pediatras brasileiros no intuito de descobrir as dúvidas mais comuns sobre vacinação relatadas pelas famílias durante o atendimento pediátrico. A íntegra do estudo será conhecida no fim de maio, mas dados preliminares indicam influência relevante de informações não confiáveis ou fake news sobre o comportamento das famílias. 

"Muitas dúvidas e afirmações falsas baseadas em desinformação têm chegado até os pediatras. Entre as principais estão frases como 'Minha filha não precisa da vacina para HPV, pois ainda não iniciou a vida sexual'; 'Vacina para HPV pode gerar efeitos neurológicos graves'; e ainda 'A doença por rotavírus é leve em crianças'", destacou a Sociedade Brasileira de Pediatria, por meio de nota. 

COVID-19 

De acordo com 81,29% dos pediatras entrevistados, a vacina contra a Covid-19 é a que tem gerado maior apreensão entre as famílias, seguida pelas doses contra a gripe (6,7%) e a febre amarela (6,09%), doenças mais conhecidas pela população. Os principais motivos alegados nos consultórios, no caso da vacina contra a Covid, são:

- "A vacina da covid-19 com tecnologia RNA pode trazer riscos à saúde das crianças" (18,09%); 

- "Não aceitar correr riscos, uma vez que imunizações podem causar doenças como miocardite e trombose" (16,58%); 

- "As vacinas de RNA não são seguras no longo prazo" (13%);  

- "Crianças não têm covid grave" (12,84%);  

- "Não conheço nenhuma criança que morreu de Covid" (8,8%). 

REDES SOCIAIS

Segundo a percepção dos especialistas, informações não confiáveis ou fake news são veiculadas, sobretudo, por meio das redes sociais (30,95%). Aplicativos de mensagens como Whats (8,43%) e a internet como um todo (13,6%) aparecem com poder de influência superior ao da tevê (3,34%). 

ANÁLISE

O presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Clóvis Francisco Constantino, lembrou que, ao longo dos últimos seis ou sete anos, o país registrou uma queda “acentuada e perigosíssima” da cobertura vacinal como um todo. O problema, segundo ele, se acentuou durante o período mais crítico da pandemia de Covid-19.

“Isso fez com que nos deparássemos com um momento perigosíssimo em relação a crianças e adolescentes, que são alvo da atenção do pediatra. Recém-nascidos, crianças e adolescentes estão correndo risco com doenças infecciosas, algumas erradicadas, e que podem voltar. Estamos na rota de retorno de muitas doenças, alguns gravíssimas.”

“Os pais dessas crianças e adolescentes foram vacinados, mas não estão levando seus filhos para serem vacinados”, disse. “Será que acham que essas doenças, por terem sido algumas erradicadas, nunca mais voltarão? Será que essa é uma pergunta que eles fazem a si próprios? Ou não fazem pergunta nenhuma e se entregam a falsas notícias que veem nas redes sociais sobre ‘perigos das vacinas’?”

A presidente do Instituto Questão de Ciência, Natalia Pasternak, explicou que a proposta da pesquisa é traçar um panorama acerca da dificuldade enfrentadas pelos pediatras no consultório associadas à hesitação vacinal. “É uma coisa nova no Brasil.”

Segundo ela, a partir dos resultados da pesquisa, o instituto, em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria, desenhou um curso, já foi realizado, para representantes das regionais de pediatria espalhadas pelo país. “A gente dividiu com eles várias técnicas de comunicação de ciência e saúde sobre como lidar com essas dúvidas [dos pais], como eles foram contaminados pela hesitação vacinal.”

 

 

Comentários

1 Comentários

  • Maria Aparecida Camargo Barbosa 18/06/2023
    E tudo começou graças ao desservico do ex presidente deste pais. Estamos vendo doenças voltando por causa da ignorância instalada. Isso deveria ser crime inafiançável. E sabemos que certos partidos apoiam isso. Que sejam banidos