Durante o auge da pandemia, a população foi obrigada a se distanciar de outras pessoas e a manter-se reclusa em casa. No entanto, uma parte das pessoas precisa enfrentar esse isolamento permanentemente: os pacientes estomizados. São aqueles que possuem uma abertura artificial no corpo para eliminar resíduos e usam uma espécie de bolsa externa. Quem vive nesta situação encara dificuldades para frequentar ambientes públicos. Por conta dos obstáculos, alguns acabam deprimidos. Para auxiliá-los e ainda para disseminar informações sobre o assunto, a expectativa é que Bauru passe a contar com uma associação.
A luta parte de Cássia Scriptore, 62 anos, que também é estomizada e diretora da Federação Paulista de Estomizados e Incontinentes, conhece bem os obstáculos físicos, emocionais e sociais. "São muitas as dificuldade para sair de casa. Não se sabe se o local terá estrutura para higienizar a bolsa coletora. Sem a higiene adequada, existe risco de infecção. Além disso, os pacientes costumam perder o controle sobre o intestino e podem, involuntariamente, fazer barulho de gases, por exemplo", explica Cássia.
A ostomia é uma cirurgia que cria uma abertura no sistema digestivo (no intestino grosso, delgado ou no estômago), urinário ou na traqueia, com o objetivo de permitir a eliminação de resíduos corporais ou criar uma comunicação do órgão com o meio exterior. Por conta dessa condição, muitos pacientes ficam em situação desconfortável e passam, inclusive, por momentos de desrespeito.
INFORMAÇÃO
Cássia conta que, recentemente, um conhecido foi convidado a se retirar de um restaurante após produzir sons involuntários de gases. Para ela, a criação de uma associação para esses pacientes é uma necessidade, principalmente por considerar que o maior problema está na falta de informação.
"Bauru tem uma carência muito grande (no aspecto da informação). Não existe nada (que oriente) sobre mudança de vida provocada pela cirurgia. A cidade precisa muito ter uma representatividade com CNPJ, pois só assim conseguiremos o que necessitamos", afirma.
Ela estima que cerca de 500 pessoas são estomizadas somente em Bauru e, na região, 1.800. Os dados são projetados considerando os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). "A informação leva ao fim do preconceito", reitera. No entanto, a tarefa de fundar a associação tem se mostrado árdua. Para Scriptore, a falta de apoio financeiro e a dificuldade de acessar os pacientes são os principais desafios.
LEI
Ainda assim, o grupo acaba de conquistar uma vitória: na última segunda (12), o Legislativo aprovou, por unanimidade, a Lei dos Banheiros para Estomizados, que obriga estabelecimentos públicos e privados a adaptarem os banheiros de deficientes para uso também dos estomizados. A medida precisa passar por segunda votação, mas Cássia já comemora o resultado.
Quando a lei estiver vigente, locais com circulação diária de mais de 450 pessoas deverão contar com um vaso infantil na altura média da cintura, com um espelho atrás para que o paciente possa visualizar a limpeza. Também deve ser instalada ducha para auxiliar na higienização.
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Carla Andreia Garcia da Silva 21/06/2023Parabéns ao JC por trazer esta reportagem e ajudar na disseminação sobre estomizados /ostomizados pois pra quem vai passar por uma cirurgia e o resultado ser a estomia não existe nenhum tipo de informação concreta, só o medo. Realmente \"Não existe nada (que oriente) sobre mudança de vida provocada pela cirurgia\". Mas essa mulher aí a Cássia foi um verdadeiro anjo em nossas vidas, meu marido ia passar por uma cirurgia de retirada do reto (câncer coloretal ) e sair do hospital com a famosa bolsa coletora ( definitiva), sem orientação de como seria procuramos pela internet e através de conhecidos chegamos nela, que deu um norte, orientou, falou sobre como seria o pós cirurgico, e que havia vida para o ostomizado, além disso foi em casa quando ele chegou, ensinou-o, olha se for escrever o tudo que ela fez por ele,escreverei um livro. Sobre a lei dos banheiros , demorou e espero que saia do papel e seja concretizado, semana passada ele foi fazer um exame e no hospital teve que se ajoelhar em frente a um vaso sanitário para fazer a limpeza, cena humilhante e indigna . Enfim , obrigada pelo espaço, e mais uma vez Parabéns.