OPINIÃO

Vida pública e representação política

Por J.F. da Silva Lopes |
| Tempo de leitura: 3 min
O autor é advogado

A humanidade conquistou depois de séculos de lutas e sofrimentos a certeza de que as criaturas humanas - homens e mulheres - nascem livres e iguais em dignidade e direitos e desfrutam ao longo de suas vidas do direito de pensar, de crer, de falar, de se associar e de viver com liberdade, consciência e dignidade mesmo em face de suas diferenças físicas e espirituais. As pessoas, em suma, são diferentes entre si e pensam, crêem e agem diferentemente e a pluralidade de diferenças enriquece e engrandece a raça humana.

Existem pessoas excepcionalmente diferentes e dependemos delas. Nossas organizações políticas funcionam, fundamentalmente, porque certas pessoas enfrentam desafios e com movimentos de amor se dispõem a ser escolhidas e nós livremente as escolhemos para influírem em nossas comunidades e em nossos trajetos de vidas. Nas democracias representativas - como é o nosso caso - em processos eleitorais periódicos pessoas diferenciadas e vocacionadas porque têm amor em servir se dispõem a ser escolhidas para exercer nossas representações políticas e nós livremente as escolhemos para que nos representem nos variados sistemas de poder que nos governam.

No âmbito federal, no estadual e no municipal, periodicamente podemos escolher e eleger nossos representantes políticos para exercer o poder por tempo certo e em favor de todos nós. Presidente e Vice-Presidente da República, Senadores, Deputados Federais, Governadores e Vice-Governadores estaduais, Deputados estaduais, Prefeitos Municipais e Vereadores são nossos representantes políticos e em nosso nome exercem o poder político no âmbito das nossas pessoas políticas federadas, isto é, União, Estados e Municípios.

Na velha Roma republicana, aqueles que se dispunham a ser escolhidos para representação política no "Senatus" vestiam-se de túnicas brancas (em latim candidus) para destacar integridade de vida e respeito a valores certos e justos que justificassem a investidura e os propósitos de bom desempenho.

Nos dias presentes, essa vivência histórica está presente em nossas vidas e os que pretendem ser escolhidos - os candidatos, fieis à origem romana - e aqueles que escolhemos nos processos eleitorais devem ser íntegros e continuarem íntegros e respeitadores do justo e do certo para bem cumprirem a dignificante missão representativa que postulam e podem conquistar pela vontade de seus semelhantes.

São eles pessoas diferentes, orientadas por renúncias pessoais e por amor ao próximo e pelo desejo de servir e representar seus semelhantes nos postos de poder político, em virtude do que merecem e devem fazer por merecer respeito e admiração de seus representados enquanto servirem em benefício coletivo de todos. E como o poder político de representação republicana é rotativo e periódico, de tempos em tempos esses seres diferenciados se submetem e submetem suas respectivas atuações representativas ao julgamento eleitoral de seus semelhantes em reeleição, quando permitido. E tudo isso constitui prova e movimentos de amor ao próximo.

Por isso devemos valorizar aqueles que por amor e vocação manifestem o desejo de nos representar e nos servir nos ambientes de poder e em beneficio de todos, porque são eles que devem e podem nos garantir e conceder mundo e vida melhor. Infelizmente algumas vezes nossa ingenuidade favorece escolhas de canalhas, corruptos e traidores da boa representação política. Esses, todavia, cedo ou tarde costumam ser desmascarados, julgados e condenados na forma legal e, ainda, podem sofrer o pior dos julgamentos humanos, o julgamento da história que, além de marcá-los pela eternidade, atinge por via reflexa e até com certo grau de injustiça, as suas descendências.

Assim é a vida e assim são as coisas da vida. Então, representantes e representados, vivamos a vida democrática e republicana com amor, respeito e recíproca decência pública e privada.

 

 

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