EM BAURU

Pacote de concessão da ETE autoriza o uso do fundo de esgoto à drenagem da Nações

Por André Fleury Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
André Fleury Moraes
Presidente da Câmara, Jr. Rodrigues (PSD) disse ao JC que pediu análise jurídica sobre contratação de consultoria
Presidente da Câmara, Jr. Rodrigues (PSD) disse ao JC que pediu análise jurídica sobre contratação de consultoria

O Projeto de Lei (PL) que concede o sistema de esgoto de Bauru à iniciativa privada, encaminhado pelo governo nesta segunda-feira (12) à Câmara, modifica a lei que criou o Fundo de Tratamento de Esgoto e autoriza a utilização dos recursos para a obra de drenagem na avenida Nações Unidas, uma das contrapartidas da futura concessionária.

O fundo foi criado em 2006 pelo prefeito Tuga Angerami e a conta bancária ao qual ele é vinculado tem cerca de R$ 200 milhões em caixa.

O valor será utilizado como um aporte financeiro no pacote de concessão, mas a empresa vencedora da licitação terá acesso aos recursos somente a partir do sétimo ano - quando todas as obras previstas no projeto estiverem em operação.

"A alteração na lei do Fundo de Tratamento de Esgoto não significa transferir o valor integralmente para a obra na Nações. Tudo está num único pacote, até porque a drenagem urbana é um dos fatores que compõem o saneamento básico", disse a prefeita Suéllen Rosim (PSD) ao JC, na noite de ontem.

O relatório da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), entidade contratada pela Prefeitura de Bauru para avaliar alternativas sobre o futuro da ETE Vargem Limpa e do próprio sistema de esgotamento sanitário do município, foi apresentado à Câmara preliminarmente há duas semanas e foi integralmente anexo ao projeto de concessão.

O documento aponta, por exemplo, que o aporte de recursos do fundo do DAE retira a necessidade de que o pacote de concessão inclua a chamada "contrapartida pecuniária" - valor que a contratante precisa pagar para ter direito ao produto ou serviço, como uma nova taxa ou tarifa, por exemplo.

A Comissão de Obras da Câmara de Bauru, enquanto isso, discute pedir desde já uma audiência pública para debater a concessão. Entre os vereadores, a avaliação é de que a Casa precisa se antecipar às discussões oficiais - previstas no cronograma do projeto - para evitar futuros atrasos.

Na semana passada, como mostrou o JC, o vereador José Roberto Segalla (União Brasil) pediu que a Câmara Municipal contrate uma consultoria especializada para auxiliar os parlamentares na análise e discussão do pacote. "Estamos prestes a analisar um projeto que envolve uma concessão de 30 anos. Não podemos errar", afirmou Segalla na ocasião.

Ao JC, nesta segunda-feira, o presidente da Câmara, Júnior Rodrigues (PSD), disse que solicitou análise jurídica sobre a viabilidade de se contratar a assessoria. A expectativa é de que a medida se concretize a partir do aval técnico da Casa.

Pelo estudo apresentado pela Fipe à Câmara Municipal há cerca de duas semanas, a futura concessionária terá de entregar a ETE Vargem Limpa, obra que se arrasta desde 2015, em até três anos após a assinatura do contrato - com início do funcionamento a partir do quarto ano.

Para além da ETE Vargem Limpa, o projeto prevê também a instalação de um emissário (um equipamento submerso de tratamento de esgoto) no Rio Bauru, a ampliação da ETE Tibiriçá e a modernização da ETE Candeia. Todas ficarão sob responsabilidade da nova concessionária.

A tarifa de esgoto deve aumentar para 90% do valor da tarifa de água - hoje, o percentual é de 65%, com mais 5% de taxa do Fundo de Tratamento de Esgoto. As obras de drenagem da avenida Nações Unidas, previstas a título de contrapartida no projeto, devem ser finalizadas até o sexto ano do contrato.

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