A divisão binária do mundo e das pessoas pode simplificar a questão, mas não a explica e, muito menos, a entende. O mundo, tal quais as pessoas, possui muitas faces e a política internacional está revelando que simplificá-lo apenas a duas potências é um erro.
Não se vê o todo, perdem-se oportunidades e se coloca em posição submissa, caso a multipolaridade mundial não seja compreendida e apreendida.
Até numa questão aparentemente fora do contexto, como o voo da Air France 447, de 1/6/2009, em que morreram 228 pessoas, evidencia a aparente força de grandes países ou empresas em relação aos pequenos.
O desfecho do julgamento da Air France e Airbus, com inocência para ambas, parece ser comum em situações envolvendo grandes empresas aéreas e fabricantes de aeronaves.
O caráter corporativista predomina sobre o bom senso e a justiça e lembra a oposição que se faz a um mundo multipolar.
Lembremos também da novela que foi o caso dos pilotos do Legacy, que colidiu com o Boeing 737, voo Gol 1907 em 2006, matando 154 pessoas. Ainda que tenha havido condenação naquele caso, ela foi limitada a serviços comunitários.
Nas análises sobre o mundo multipolar fica claro o contraste com as tentativas bolsonarentas nativas para estabelecer que há apenas uma bipolarização: a do pseudo-certo deles contra a realidade de todos os outros.
A extrema-direita não admite que possa haver protagonismos fora dos eixos preestabelecidos, quer sejam econômicos, sociais ou culturais. O Brasil de Lula volta a ter a oportunidade de, mais uma vez, mostrar e materializar essa possibilidade.