CIÊNCIA

Após décadas na Alemanha, fóssil raro de dinossauro brasileiro é repatriado

Por Larissa Bastos | Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Placas onde fóssil do dinossauro Ubirajara jubatus está impresso foram repatriadas
Placas onde fóssil do dinossauro Ubirajara jubatus está impresso foram repatriadas

O fóssil raríssimo do dinossauro brasileiro Ubirajara jubatus, que foi contrabandeado para a Alemanha nos anos 1990, finalmente voltou para sua terra natal no último domingo (4). A repatriação do único exemplar do réptil extinto só foi possível devido à grande mobilização da comunidade científica, autoridades governamentais e também da população. Inclusive, o historiador e arqueólogo de Bauru, Leonardo Troiano, que criou uma petição online reivindicando a devolução da peça fossilizada, acompanhou todo o processo de retorno do predador.

Conforme o JC noticiou, o Ubirajara jubatus é o primeiro dinossauro não aviário conhecido com penas excepcionalmente proeminentes nos ombros encontrado no Hemisfério Sul, e seria uma espécie ancestral das aves. Acredita-se que ele tinha o tamanho aproximado de uma galinha e vivia na região da Bacia do Araripe, no Ceará, há cerca de 120 milhões de anos.

Porém, pesquisadores brasileiros só souberam da existência do fóssil em dezembro de 2020, após a publicação de um estudo sobre o réptil em um renomado periódico científico, e descobriram que o único exemplar do predador estava no Museu Estadual de História Natural Karlsruhe (SMNK), na Alemanha.

Questionado pelos historiadores sobre a origem da peça fossilizada, o governo alemão apresentou um documento alegando que a exportação foi autorizada em 1995. Porém, há uma lei nacional que, desde 1942, proíbe a saída de qualquer fóssil do Brasil em qualquer circunstância. Ou seja, o fóssil foi contrabandeado e, mesmo assim, o país germânico se recusava a fazer a devolução.

Assim, em 2021, foi iniciada a campanha #UbirajaraBelongsToBR (em tradução livre, "Ubirajara pertence ao Brasil"), que, pelas redes sociais, exigia a repatriação do fóssil. O movimento incluiu, ainda, mais de 11 mil assinaturas na petição online criada pelo historiador de Bauru.

"Após imensa movimentação online e até mesmo o fechamento dos comentários no perfil do Instagram do museu, o governo alemão decidiu, em julho de 2022, 'por razões éticas e legais', pela repatriação", detalha Troiano, que atualmente trabalha na área internacional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A partir de então, foram intensificadas as tratativas entre o governo brasileiro e alemão até a concretização de seu retorno ao País, neste domingo. Na segunda-feira (5), a peça foi vistoriada por representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), da Embaixada da Alemanha no Brasil e da Universidade Regional do Cariri (Urca).

A cerimônia oficial de repatriação será realizada nesta segunda-feira (12), e, depois, a peça ficará abrigada no Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens da Urca, no Ceará, na região de onde o fóssil foi escavado ilegalmente. "Ter esse fóssil para estudarmos nossa história é muito importante cientificamente e culturalmente para o Brasil. Estamos muito felizes", celebra Troiano.

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