Botucatu - Com a proximidade do inverno e quedas das temperaturas, o número de pessoas com problemas respiratórios cresce. Isto porque o ar mais seco aumenta a concentração de poluentes na atmosfera e as baixas temperaturas ampliam riscos de doenças respiratórias, como gripes e resfriados, muito comuns neste período, sobretudo entre crianças.
De acordo com a médica do Serviço de Pneumologia Pediátrica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) Luciana Oliveira Silvano Tostes, as doenças respiratórias mais comuns que atingem crianças até os dez anos são as causadas por vírus, principalmente influenza A e B (gripe), vírus sincicial respiratório (que causa bronquiolite em menores de dois anos), rinovírus, e, mais recentemente, SARS-CoV-2, causando a Covid-19.
Embora existam outros vírus circulando, o mais comum é o sincicial respiratório. "Mais de 100 mil crianças com até cinco anos morreram por infecção respiratória causada por ele em todo o mundo somente em 2019. No total, estima-se que 33 milhões de crianças tiveram quadro respiratório causado pelo patógeno neste mesmo ano e cerca de 3,2 milhões de crianças foram levadas para hospitais com problemas respiratórios causados pelo vírus", conta a médica."
Em relação às faixas etárias, bebês com até seis meses somaram aproximadamente 45 mil mortes, ou seja, quase a metade do total de óbitos registrados. 95% dos casos das infecções e 97% das mortes foram registradas em regiões mais carentes".
Para a médica do Serviço de Pneumologia Pediátrica do HCFMB Francyelly Wisnievski Yamamoto, o papel dos pais no cuidado da rotina dos filhos é fundamental para minimizar os problemas de saúde neste período."Os pais devem ficar atentos aos hábitos alimentares, de hidratação, de sono, atividade física, limpeza e higiene ambiental e doméstica, higiene nasal frequente e, imprescindivelmente, a vacinação completa", orienta.
A partir do diagnóstico, a indicação terapêutica é variável. "Em casos de infecção viral, repouso e medicamentos para controle da febre e dor. No caso do vírus influenza pode ser utilizado antiviral. Nas infecções bacterianas, associamos antimicrobianos. Os tratamentos antiinflamatórios e tópicos nasais utilizamos para as doenças alérgicas", explica.