BAURU

Autuações por embriaguez ao volante em 2023 quase equivalem às de 2022 inteiro

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Polícia Militar/Divulgação
PM desencadeou Operação 'Corpus Christi', na última quarta (7)
PM desencadeou Operação 'Corpus Christi', na última quarta (7)

O número de autuações por embriaguez ao volante lavradas pela Polícia Militar nestes primeiros meses de 2023 já está próximo de alcançar o volume de multas confeccionadas pelo mesmo motivo no ano passado inteiro. De acordo com a corporação, de 1 de janeiro até 6 de junho, foram contabilizados 127 registros em Bauru, apenas seis a menos do que o total de 2022, que acumulou 133 autuações.

Para a PM, a alta está diretamente relacionada ao aumento das fiscalizações, que já estão resultando, inclusive, em queda no número de mortes e lesões provocadas por acidentes no trânsito urbano do município. Comandante do Pelotão de Policiamento de Trânsito da Polícia Militar de Bauru, o primeiro-tenente Júlio César Pereira da Silva explica que boa parte das ocorrências envolvendo condutores, passageiros e pedestres feridos tem ligação com o uso de bebidas alcoólicas.

Porém, devido à intensificação das operações policiais com foco na malha viária da cidade, bem como as campanhas de conscientização realizadas em empresas e escolas, o número de ocorrências vem diminuindo. Outro fator é a popularização do uso de transporte de passageiros por aplicativo, que tem preços mais acessíveis e permite, a uma parcela da população, evitar dirigir quando há intenção de consumir álcool.

"Para se ter ideia, neste ano, fizemos 1.260 abordagens com foco na embriaguez ao volante e, destas, em apenas 127 (10% dos casos), houve recusa em fazer o teste do etilômetro ou o exame deu positivo. Já em 2022 inteiro, foram 1.020 condutores fiscalizados, com 133 autuações (13%). Ou seja, aumentamos as abordagens e o percentual de autuados caiu. E seguimos trabalhando para que esta estatística seja cada vez menor", descreve o primeiro-tenente, acrescentando que o maior volume de flagrantes envolve motoristas de carros e ocorre entre quinta-feira e sábado.

OPERAÇÃO

Já na última quarta (7), o comando do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior desencadeou a Operação "Corpus Christi", que resultou na confecção de 80 multas, envolvendo diversos tipos de infração, além de 15 automóveis e outras 15 motos recolhidos. Por meio de trabalhos como este, segundo o primeiro-tenente Júlio, os acidentes mais graves de trânsito sofreram redução.

Considerando o período de janeiro a maio, as ocorrências com vítimas fatais diminuíram de dez, em 2022, para oito em 2023. Já os registros com vítimas caíram de 447 para 414 e os que envolveram pedestres feridos após atropelamento variaram de 49 para 43.

"Com os adultos, percebemos que as fiscalizações, com a presença da Polícia Militar nas ruas e as devidas autuações, são mais efetivas para despertar receio e até a consciência dos condutores, que ficam mais atentos sobre a necessidade de respeitar as normas de trânsito. Por este motivo, este trabalho vem sendo intensificado", frisa.

Dirigir sob a influência de álcool ou recusar-se a soprar o bafômetro são consideradas infrações gravíssimas, de acordo com os artigos 165 e 165-A do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Ambas as situações geram multa de R$ 2.934,70 e podem resultar na suspensão do direito de dirigir por 12 meses, além do recolhimento do documento de habilitação e retenção de veículo.

"Depois de um susto grande, aprendi a ter mais consciência", relata condutora

Foi depois de invadir uma calçada e quase bater em um poste de energia elétrica que a analista de planejamento Marianne Santos, 31 anos, entendeu que precisava mudar sua conduta. Na ocasião, sucedida há cerca de três anos, ela estava embriagada ao volante e, diante do risco de morte que compreendeu ter corrido, nunca mais dirigiu sob efeito de bebida alcoólica.

"Hoje, quando eu vou a um 'rolê' em que sei que vou beber, peço carona a um amigo ou vou de Uber, 99 (empresas que fazem transporte de passageiros por aplicativo). É uma facilidade, porque o preço da corrida é acessível", descreve, acrescentando que, por vezes, assume a função de 'motorista da rodada', ou seja, dirige e dá carona aos amigos até a balada ou barzinho, mas não consome álcool a fim de garantir a segurança de todos.

"Tive um susto grande naquele dia em que voltei sozinha para casa, alcoolizada. Eu cochilei e, em um senso de sobrevivência, despertei a dez passos de distância do poste, com o carro em movimento. Felizmente, consegui desviar. Entendi que poderia ter morrido ou matado outra pessoa. Tive um livramento e, desde então, aprendi a ter mais consciência".

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