Everton Basílio é o tipo de secretário que todo prefeito gostaria de ter à frente das finanças de seus respectivos municípios. Discreto, e mais técnico do que político, Basílio é formado em administração e é servidor de carreira há cerca de 10 anos. Entrou na Prefeitura de Bauru como técnico em gestão de convênios. "Já comecei lidando com bucha", lembra.
Mas nem sempre foi assim. Bem-humorado e espirituoso, Everton trabalhou durante 15 anos em rádio. Foi técnico de som na antiga Auriverde e era responsável, entre outras coisas, pelo preparo do boletim do JC que ia ao ar diariamente às 18h na emissora, com a qual o jornal mantinha parceria.
Decidiu deixar a rádio porque via mais perspectiva de crescimento no setor público. "Entrei até um pouco tarde na prefeitura, com 33 anos", lembra. Foi nomeado chefe da seção de contabilidade ainda no início da carreira no Palácio das Cerejeiras, sede da prefeitura.
Não demoraria para que Basílio descobrisse um interesse maior do que imaginava em planilhas repletas de números, seções e subseções - leia-se orçamento municipal.
Foi transferido para a área do orçamento tão logo perceberam a facilidade com que o então servidor do "baixo clero" - como são chamados aqueles que estão nas partes mais baixas de um organograma hierárquico - lidava com o assunto. Tornou-se consultor financeiro do governo.
Meses depois, entrou na mira do então secretário de Finanças do governo Clodoaldo Gazzetta (2017-2020) Everson Demarchi, que o nomeou diretor de departamento - cargo abaixo apenas do secretário.
Basílio, por sinal, não hesita nem um pouco ao admitir que Demarchi, também servidor público e considerado um dos "crânios" das finanças públicas de Bauru, foi talvez seu maior professor.
"Ele e o Marcos Garcia me ajudaram muito", lembra. Este último, por sinal, está na pasta ao seu lado ainda hoje. Demarchi, por sua vez, se tornou presidente da Cohab e tem a missão de dar início ao encerramento definitivo da companhia. Basílio chegaria a secretário de Finanças em 2021, nomeado pela prefeita Suéllen Rosim (PSD), e comanda a pasta ainda hoje.
É responsável, por exemplo, por dizer "não" a projetos que comprometem o orçamento e revela, sem citar nomes, que já deixou muita gente irritada com suas negativas. O secretário, aliás, é chamado de "pão duro" por colegas do governo - claro que no bom sentido. "Eles brincam, mas entendem", ressalta. "Faz parte do jogo".
Um jogo, aliás, com o qual aprendeu a lidar na marra. Já frequentava reuniões ou audiências públicas na Câmara antes mesmo de ser secretário.
Mas não era o alvo direto dos parlamentares - que costumam voltar suas metralhadoras geralmente contra os titulares de cada pasta, sobretudo quando há indicação política aos cargos.
Mas esse é um problema que Demarchi não enfrentava - é funcionário público, afinal - e que Everton também não enfrenta. "É mais fácil lidar com políticos quando se é antes de tudo servidor de carreira", explica.
Que o diga o atual titular da Finanças. Não é raro vê-lo conversar com vereadores da oposição, mesmo os mais enfáticos nos discursos. "Isso é até bom, porque muitas vezes a própria oposição nos auxilia com ideias e projetos interessantes", aponta.
Basílio é bem quisto entre os parlamentares também por isso - mas não só. Os resultados à frente da pasta são indiscutíveis: superávit financeiro e contenção dos gastos públicos. Ele, porém, não gosta de tomar para si os indicadores - prefere dizer que foi um trabalho em equipe e que todos têm papel nisso.
O secretário é taxativo, porém, ao falar sobre o que espera deste ano e do próximo. "Muito do bom resultado financeiro que obtivemos foi causado pela inflação e pelas verbas extraordinárias. Estamos nos preparando para uma queda na receita que já vem se evidenciando", aponta.
Casado, Everton tem um filho de cinco anos que adora visitar seu gabinete, a última sala do segundo andar de um prédio na rua Araújo Leite. "Ele não entende muito como funciona, mas adora ver a mesa cheia de papéis e as planilhas espalhadas", diz. Se o garoto vai ou não seguir os passos do pai, porém, só o tempo dirá.