SAÚDE

‘Precisamos cuidar da saúde mental’

Por Eduardo F. Filho |
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Divulgação
Rafa Kalimann foi diagnosticada após sentir que “perdeu o controle” durante uma viagem de avião
Rafa Kalimann foi diagnosticada após sentir que “perdeu o controle” durante uma viagem de avião

Há cinco anos a ex-BBB e influenciadora digital Rafa Kalimann sofre com crises de pânico. Ela foi diagnosticada após sentir que "perdeu o controle" durante uma viagem de avião. Os sintomas foram, segundo ela, uma dor profunda, falta de ar, desespero enorme, choro e medo.

"As crises de pânico impactaram toda a minha vida. Vivo e estou vivendo essas mutações. Coisas que antes para mim eram hobbies, alegria, diversão, como andar em uma montanha russa, saltar de asa delta, hoje me causam medo e angústia. Mas eu também não quero deixar de ir em uma balada, por exemplo. Tudo hoje me causa muito mais medo e insegurança do que antes, porque sempre vou para algum lugar achando que vai ser um motivo para desencadear uma nova crise. Mas não quero deixar de viver e isso foi um compromisso que fiz logo no início comigo mesma, de que iria aprender a encarar tudo com muita coragem", afirma a apresentadora.

Rafa revela que decidiu falar sobre o tema recentemente no quadro "Dança dos famosos", no "Domingão com Huck", porque encontrou na dança um meio de tratamento contra a doença e que, desde então, "mudou uma chave" em sua mente com o propósito de alertar as pessoas sobre a síndrome que é cada vez mais frequente na sociedade. Além da dança, ela também cita a alimentação, terapia e o fluxo da água corrente que ajuda a relaxar e acabar com as angústias.

"Tive alguns sinais de alerta antes da crise em si. Comecei a sentir que a minha saúde mental estava abalada porque andava muito cansada emocionalmente. Não era algo físico. Comecei a sentir medos que eu não tinha, de coisas mais simples, como pegar um avião, viajar sozinha ou ficar sozinha. Havia mudado algo dentro de mim que não estava bom. Acredito que a primeira vez que tive uma crise de pânico foi em 2018, durante uma viagem de avião. Senti falta de ar, medo de acontecer alguma coisa, um desespero enorme. Eu já fazia terapia e minha psicóloga foi um diferencial enorme para mim. Ela me alertou de que algo precisava ser feito mais internamente e aprofundado. E só assim fui perceber que aquilo era uma crise de pânico."

Segundo ela, o maior impacto que essa síndrome trouxe foi o autoconhecimento:

"O mesmo cuidado que a gente tem com a nossa saúde física, precisamos ter com a saúde mental. Queria ter começado a ter os cuidados que eu tenho hoje antes. Não sei se seria suficiente, mas talvez a síndrome chegasse de uma maneira diferente ou eu não a teria. Quando sinto que essa crise está chegando, já começo a me preparar no meu íntimo. Descobri que a água me acalma, ela é a minha âncora de calmaria durante as crises, o fluxo de água é onde consigo recuperar as minhas forças, o meu refúgio, o lugar aonde eu vou nesse momento de aflição e sufoco. Também coloco uma música que me acalma, um louvor, e tento respirar, porque a respiração é importantíssima durante uma crise de pânico. Busco técnicas de respiração e faço meditação."

Desde o diagnóstico, Rafa chegou a emagrecer devido às mudanças em sua alimentação e na rotina de exercícios, o que foi muito positivo.

"Quando mudei minha alimentação, meu sono e meus exercícios em benefício das crises, eu falava para as pessoas que eu emagreci, não por querer ou por algo estético, mas por necessidade, pelo meu bem-estar e minha saúde", explica Rafa, que recebeu críticas por conta de seu corpo.

"Mudei toda uma estrutura em razão da síndrome do pânico, e as pessoas vieram, vinham e continuam vindo com uma enxurrada de críticas em relação a isso, que potencializam essa dor. As pessoas precisam entender a responsabilidade que um comentário negativo tem na vida de outras pessoas. Um lado meu estava muito bom, saudável, buscando uma saúde física que beneficiaria minha saúde mental, e em contrapartida o peso disso era gigante. O corpo encontra formas de se sentir mais confortável, e eu senti que a forma que estou hoje é o corpo que a Rafa se sente confortável, não é o que eu busquei como forma estética, mas saúde."

O QUE É?

A crise de pânico parece um ataque cardíaco: aumento nos batimentos, respiração acelerada, tontura e, até mesmo, dores no peito. Junto a isso tudo, vem o medo de morrer. Você já se sentiu assim ou conhece alguém que passou por isso?

Por ser semelhante a um infarto, muitas pessoas buscam um cardiologista após a crise, achando que estão sofrendo do coração. Depois de realizarem exames, descobrem que está tudo bem com a sua saúde física e, às vezes, se esquecem do assunto.

Acontece que as crises estão relacionadas à ansiedade e podem contribuir com o desenvolvimento da síndrome do pânico.

Ainda não existe um consenso na ciência sobre o que causa as crises de pânico. Já se consideram, no entanto, algumas hipóteses: genética; traumas (acidentes, abuso sexual etc.); episódios de estresse extremo; acúmulo de tensões; problemas no sistema fisiológico; ansiedade; depressão; baixa autoestima; sentimento de culpa; uso de drogas; efeito colateral de medicamentos.

Ao contrário do que muitos pensam, a crise de pânico não está relacionada a uma situação em que o indivíduo sente um medo extremo. Esses episódios estão mais relacionados à reação do corpo do que ao evento que o causou, propriamente dito.

As crises podem acontecer com pessoas a partir dos 15 anos de idade, mas são mais comuns entre os 25 e 40 anos. Nas crianças, a ocorrência é menos comum, mas não é impossível. Geralmente, os episódios duram alguns minutos, mas podem levar até algumas horas, a depender do caso.

Outra característica das crises de pânico é que elas não têm hora para acontecer. Pessoas que já passaram por essa experiência relatam que estava tudo normal e, de repente, começaram a sentir os sinais.

A síndrome do pânico é uma doença mental mais comum do que se imagina. A Organização Mundial da Saúde estima que 4% da população mundial sofram com o transtorno, ou seja, cerca de 280 milhões de pessoas. Fonte: https://hospitalsantamonica.com.br/

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