Quando o ônibus em que estava foi se aproximando daquelas magníficas cataratas senti o lampejo de uma bela e inspiradora experiência.
Descendo o caminho de pedra, mesmo antes que as avistassem podia ouvir o ressoar de uma força retumbante, enquanto o cheiro de umidade preenchia a tarde cálida.
De súbito, aquela força antes apenas ouvida transformou-se num espetáculo a contemplar mais grandioso ainda do que a descrição do gentil guia que me fizera no dia anterior.
Embora o caminho estivesse apinhado de gente, tive a sensação de estar a sós com aquelas magníficas cachoeiras, pois a cada troar elas pareciam me dizer: "Aqui temos estado durante eras e muitas pessoas vieram e se foram, mas permanecemos para proporcionar alegria e felicidade a todos aqueles que escutam a nossa música e contemplam nossas cores. Vem e demora-te um pouco mais em nossa companhia."
Uma comoção forte se fez absorver completamente em meu próprio âmago e, mentalmente, tornei-me parte da tênue bruma que circundava meu rosto. O tempo perdeu todo o significado para mim e fui atraído para o centro daquele trovejante clamor, até que um maravilhoso esplendor arrebatou meus pensamentos e fundiu toda minha essência naquele cenário mágico.
Parecia uma criancinha contemplando a face de Deus e num lampejo espiritual também expressei silente gratidão por aquela bênção.
Lamentavelmente cedo teria que deixar aquele tesouro, no entanto a memória haveria de me compensar no futuro, pois talvez eu volte a visitar aquela maravilha da natureza preservada pelo Criador ou a reviva nos olhos daqueles que também a contemplarem depois de mim.