Botucatu - O reitor da Unesp (Universidade Estadual Paulista), Pasqual Barretti, assinou a demissão de professora detida após os atos antidemocráticos de 8 de janeiro, em Brasília. Sandra de Moraes Gimenes Bosco, docente do Instituto de Biociências de Botucatu (100 quilômetros de Bauru), estava afastada das atividades de ensino desde o dia 10 de janeiro, após ser detida em um ônibus que retornava de Brasília.
Ela e outras pessoas foram abordadas pela Polícia Rodoviária Federal, na manhã de 9 de janeiro, no km 35 da rodovia Transbrasiliana (BR-153), em Onda Verde, sob a suspeita de terem participado da invasão e depredação das sedes dos Três Poderes. O grupo, de 45 pessoas, foi levado à Delegacia da Polícia Federal (PF) de São José do Rio Preto, onde todos foram qualificados.
A demissão da docente de Botucatu foi publicada no Diário Oficial deste sábado (29), após a conclusão da apuração de processo administrativo disciplinar. Ela ainda tem direito a recorrer da decisão no Conselho Universitário, segundo a universidade. A reportagem procurou a professora para comentar a demissão, mas ela não respondeu.
"Em relação à pena de demissão aplicada, foi caracterizada infração disciplinar de natureza gravíssima, após criteriosa apuração ocorrida no âmbito do Processo Administrativo Disciplinar, instaurado pela unidade universitária em decorrência da participação da docente nos atos de 8 de janeiro de 2023", explicou a universidade, por meio de nota.
Ainda segundo a reitoria, o processo respeitou o princípio constitucional da ampla defesa e constatou que a servidora violou "deveres funcionais previstos no Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado". Entre as proibições, está a de praticar atos de sabotagem contra o serviço público ou cometer crime previsto nas leis relativas à segurança e à defesa nacional, além de lesar patrimônio.