OPINIÃO

Lições de tempos perigosos

Por J.F. da Silva Lopes |
| Tempo de leitura: 2 min
O autor é advogado

A baderna bem planejada e melhor executada que vandalizou instalações dos três poderes da República Federativa do Brasil em 8/01/23 certamente abalou o governo iniciante, marcou nossa história e abriu espaços indispensáveis para prisão, apuração, acusação e julgamento de todos os envolvidos nas suas várias fases nos exatos termos constitucionais do devido processo legal, a todos garantidos o contraditório e a ampla defesa exercitada em processos fluentes perante o Juízo natural. Isto sendo realizado dentro dos parâmetros de lei e com velocidade adequada, visto que a apuração de responsabilidades e punições exemplares assim exigiam diante da gravidade dos fatos.

Tais providências em andamento apontavam que os piores momentos haviam sido superados e que tudo o que estava sendo feito cercava-se por estrito controle profissional evidenciando quadro de certa calmaria e tranquilidade institucional subseqüente à trágica tempestade que atingiu o coração da nossa democracia.

Eis, porém, que uma empresa de comunicação divulga alguns minutos de imagens até então sigilosas do Palácio do Planalto invadido e mostra, para perplexidade geral, a visível fragilidade de um general do nosso Exército e ministro de Estado, sem armas, sem tropa hierarquizada e disciplinada agindo como condutor dos invasores à moda dos lanterninhas dos cinemas de antigamente e, também, alguns agentes do poderoso GSI com comportamento suspeito de cumplicidade ou tolerância.

Essa divulgação impactante protegida pela liberdade de imprensa com garantia do anonimato da fonte, além do abalo que provocou trouxe indagações angustiantes exigentes de investigações e esclarecimentos. Quem fez vazar a fita que estava coberta por sigilo? Teria ela sofrido edição e montagem? Qual o propósito que norteou seu vazamento e divulgação? Nisso tudo tem coisa e muito dificilmente as respostas certas serão encontradas, divulgadas e conhecidas.

O episódio, todavia, mostra, negativamente, que vivemos tempos institucionalmente perigosos que exigem precaução, lisura e excepcionais cautelas éticas dos detentores do poder político ao risco de ocorrerem novas situações escandalosas. E, também e agora positivamente, nos revela o papel essencial da imprensa livre, responsável e vigilante na vida democrática de uma nação. A sabedoria popular ensina que com ingredientes certos se pode fazer do azedume do limão deliciosa limonada. Esse episódio traumático, eletrizante e novo também mostra o vigor das nossas instituições democráticas resultando em valioso exemplo que nos serve de lição e aprendizado de vida institucional.

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