Parte da família, os pets entraram de vez no mundo das viagens. Hotéis, pousadas, passeios, aventuras como o rafting, lounge vip e até trens históricos se adaptaram para receber - muito bem, obrigada - esse público.
No pós-Covid, 82% dos brasileiros querem viajar com seus animais de estimação, de acordo com a Hoteis.com, que ouviu mais de oito mil pessoas em pesquisa feita em 2020. Já a plataforma de reservas Booking apurou que 40% dos brasileiros escolhem o destino com base em como seus pets serão recebidos. O levantamento entrevistou quase 50 mil pessoas, em 28 países, também em 2020. Em pesquisa anterior, 65% brasileiros afirmaram que seu pet é tão importante quanto um filho.
No Airbnb, o tópico figura entre os cinco principais filtros para quem aluga imóvel: wifi de qualidade, cozinha equipada, estacionamento gratuito, ar-condicionado e acomodação pet friendly.
E não basta aceitar os bichinhos, é preciso mimá-los. Prova disso é que os tutores não querem levar seus filhotes para que eles fiquem em canis ou gatis, mas, sim, para criar uma experiência divertida para o animal e curti-la ao lado dele.
Em Brotas, por exemplo, cães acompanham humanos em restaurantes, docerias e até em botes para aventuras. A cidade foi uma das primeiras a incluir os animais na prática do rafting, há mais de uma década.
Lá também é possível praticar stand-up paddle, além de trilhas e mergulhos no rio, tudo com os pets ao lado. Hoje, 70% dos hotéis e pousadas do destino aceitam a bicharada.
Muitas acomodações criaram piscinas especiais para eles, com PH controlado, borda com saída fácil, brinquedoteca, parques com agility e até cardápios especiais, que incluem sorvetes de frutas desenvolvidos para focinhos gulosos.
Socorro também está de olho nos viajantes com pet. Adaptou parques, trilhas, cachoeiras, aventuras como o rafting, o stand-up e o caiaque, bem como passeios históricos para receber filhos de patas.
Em Curitiba, os pets são bem-vindos a bordo do trem Serra Verde Express, o trem da Serra do Mar Paranaense. Um vagão, decorado e adaptado, recebeu caminhas para os novos passageiros, que curtem a paisagem junto dos tutores. Na cidade, é possível se hospedar no Grand Mercure Curitiba Rayon, entre outros com quartos voltados a este público.
Minas Gerais também tem experiências pet. Em Monte Verde, eles podem botar as patinhas em diversos restaurantes, lojas e bares. Acomodações também fazem questão de recebê-los soltos, em amplo espaço verde - na pousada Morada das Nuvens, por exemplo, são aceitos todos os portes de animais.
Nos hotéis, não faltam mimos para os clientes. O all inclusive Villa Rossa, em São Roque (SP), personalizou a experiência pet com um kit de boas-vindas com brinquedos, biscoitos, e camas, inclusive gigantes para animais GG.
No Hilton, no bairro do Morumbi, na capital paulista, cachorros também são recebidos com um kit contendo bichos de pelúcia, bolinha, bifinhos, biscoitos e snacks saudáveis. No quarto, assim que os hóspedes entram, já estão ali esperando por eles uma caminha e dois potes de alumínio para água e comida. O Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) também mira o turismo pet friendly, e inaugurou recentemente a sala vip pet friendly Plaza Premium Lounge. Filhos de patas pagam R$ 50 para aguardar o embarque no maior conforto, do ladinho do tutor. Ter vacinas em dia é uma obrigação em geral, acentuada no caso do turismo. Em grande parte dos casos, para passeios e hospedagem é necessário apresentar a carteirinha com a ficha médica do bichinho atualizada. “Doenças como cinomose, parvovirose e raiva podem ser fatais, então, vacinar é fundamental. São indispensáveis, ainda, medicamentos contra pulgas, carrapatos e insetos. Esses parasitas podem causar anemia, doenças bacterianas e doenças no sangue”, explica o veterinário e analista de Educação Corporativa da Cobasi, Bruno Sattelmayer. “Existem espécies de mosquitos que provocam uma grave doença cardíaca, na qual as larvas se instalam no órgão. Há ainda o risco de leishmaniose, grave zoonose, que pode ser evitada com repelentes.”
Além dos cuidados médicos, é preciso também respeitar o limite dos pets durante as viagens. Animais idosos, por exemplo, não aguentam andar pelas trilhas ou fazer esportes nos botes. Fora isso, recomenda-se aos tutores ficar de olho no que o animal consome ao longo das trilhas.