ENTREVISTA

Entrevista da Semana com o comunicador Renato Venturini

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Larissa Bastos
Renato Venturini se realiza na carreira profissional
Renato Venturini se realiza na carreira profissional

Comunicador do amor

Foi em frente à 'caixinha mágica' chamada televisão, na casa de bambu trançado e barro construída pelo pai, que Renato Venturini, ainda na infância, descobriu o que gostaria de ser: comunicador. Com sonhos no peito e persistência, alçou alto.

Hoje com 45 anos, o filho caçula do eletricista Osvaldo (in memoriam) e da passadora de roupas Alzira se tornou jornalista especializado em publicidade e propaganda, apresentador de um programa local de sorteios e celebrante de eventos como casamentos. Nesta última função, acompanha histórias apaixonadas e ajuda a contá-las aos convidados das festas. "Já me disseram que sou comunicador do amor. Gosto disso", frisa.

Nascido em Bauru e criado nos bairros Popular Ipiranga e Parque São Geraldo, atualmente Renato conta mais de 1 mil eventos realizados. Também carrega consigo histórias curiosas de quando esteve na TV, ao lado de artistas como Silvio Santos, Gugu Liberato e Angélica.

Fez, ainda, campanhas publicitárias, apresentou programas de televendas e até, hoje, quando participa de feiras de noivas, se une a outros expositores para promover, gratuitamente, o casamento de pessoas de baixa renda. "Tenho orgulho de tudo o que conquistei e de, com a comunicação, levar o nome de Bauru para muitos lugares", diz.

Nesta entrevista, Renato relembra bastidores de experiências que viveu no SBT, sua trajetória em diversas áreas da comunicação e como se realiza ao contribuir, com sua capacidade profissional, para fazer outras pessoas felizes. Leia, abaixo, os principais trechos.

JC - Como surgiu o interesse pela comunicação?

Renato - Na infância, assistia muito à televisão. De manhã, era o Bozo e, à tarde, desenho. Cresci vendo esta caixinha mágica, então, desde novo, entendi que iria trabalhar com comunicação. Com 17 anos, peguei um ônibus e fui para São Paulo. Me inscrevi por telefone para um teste de ajudante de palco da Angélica, no SBT. Fiquei uns 15 dias, mas, como tinha 1,85 metro e era muito mais alto do que ela e os outros meninos, fui cortado. Fui fazer figuração em novela. Também participei de brincadeiras no programa do Gugu e do Em Nome do Amor, do Silvio Santos.

JC - Por que decidiu deixar estes trabalhos e voltar a Bauru?

Renato - Sou filho temporão. Meu pai faleceu há quatro anos com 88 anos e minha mãe tem, hoje, 82. Meus dois irmãos já eram casados e meus pais ficaram sozinhos. Decidi voltar e, em 1998, fui contratado como funcionário da USC. Como era de família pobre, ganhei bolsa para cursar jornalismo e me formei em 2004. Depois, fiz especialização em publicidade e propaganda. Trabalhei na Editora Alto Astral e fui chamado para fazer televendas no Negócios e Oportunidades, do SBT Interior. Também fiz a TV Shop Tour, o primeiro canal de televendas do Brasil, e, depois, fui para a Rede TV Shop. Fui, ainda, assessor de imprensa da Secretaria da Administração Penitenciária do Estado, em São Paulo e Campinas. Fiquei nas televendas até 2012.

JC - E quando começou a fazer eventos?

Renato - Eu já fazia. Há 15 anos, atuo profissionalmente como celebrante de casamentos. Trabalhei com jornalismo, mas oportunidades foram surgindo no segmento de eventos. Comecei fazendo as colações de grau da USC, onde era funcionário, com 21, 22 anos. Depois, fiquei oito anos fazendo bailes de formatura da Ticomia, até surgirem convites para fazer festas de 15 anos, que foram febre no início dos anos 2000. Comecei a organizar casamentos e, em uma ocasião, em Lençóis Paulista, o mestre de cerimônias confundiu a data e não foi. Eu me propus a fazer este papel e, a partir daquele dia, em 2008, decidi ser celebrante.

JC - Você deixou de organizar casamentos?

Renato - Sim. Passei a ser celebrante, contratado por empresas que organizam não apenas casamentos, mas eventos corporativos, bailes de formatura. Os casamentos mais recentes foram em Ilhabela e Avaré e o próximo será na praia de Juquehy (São Sebastião). Sou grato pela oportunidade de levar o nome de Bauru a tantos lugares. Mas isso só é possível quando você realiza um trabalho sério, que exige preparação, capacitação. Ao menos três vezes ao ano, faço cursos em São Paulo. E, desde 2018, minhas cerimônias possuem efeito civil. É uma autorização que pode ser concedida por uma instituição religiosa a um celebrante com ensino superior.

JC - Nestes 15 anos de atuação, alguma história te marcou mais?

Renato - A de um casal de Jundiaí. Ambos eram separados, com filhos. Foram diagnosticados com câncer na mesma época e foram fazer quimioterapia em um hospital de São Paulo, quando se conheceram. Começaram a conversar, se tornaram amigos, acabaram engatando um namoro e, já curados, decidiram se casar. Tive a felicidade de celebrar a união deles, que estão até hoje juntos. É muito gratificante poder participar da vida das pessoas em um momento de felicidade.

JC - Agora, você está apresentando um sorteio de prêmios, o Sóbauru. Como está sendo este trabalho?

Renato - Começamos em junho de 2022, com a proposta de contemplar os bauruenses. São prêmios em dinheiro e motos. Eu e a Andreia Sodate apresentamos o programa todo domingo, às 11h, com transmissão ao vivo pela TVC (canal 13 da NET), pela rádio Top FM e plataformas digitais. Ter sido convidado para voltar a fazer TV tem sido uma experiência muito legal.

JC - Ainda tem planos de voltar a uma emissora de alcance nacional?

Renato - Não desisti de buscar oportunidades. Até hoje, uma a duas vezes por ano, vou em frente à casa do Silvio Santos para entregar ideias de programas e quadros novos. Já cheguei a pegar insolação depois de ficar três horas embaixo do sol, esperando um dos funcionários dele aparecer na porta. Eles já me conhecem e me chamam de Bauru. Até hoje, esta caixinha mágica me encanta, mas entendi que é possível ser um comunicador de várias formas, inclusive quando conto uma história de amor. Eu me realizo.

Renato celebrando um casamento: várias histórias o marcaram (crédito: Laudo Leal Fotografia)
Renato celebrando um casamento: várias histórias o marcaram (crédito: Laudo Leal Fotografia)
Renato ao lado de Silvio Santos, no final da década de 1990 (crédito: Arquivo pessoal)
Renato ao lado de Silvio Santos, no final da década de 1990 (crédito: Arquivo pessoal)
Renato apresentando o programa Sóbauru (crédito: Divulgação)
Renato apresentando o programa Sóbauru (crédito: Divulgação)

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