OPINIÃO

Nosso caminho democrático

Por J.F. da Silva Lopes |
| Tempo de leitura: 2 min
O autor é advogado

A intentona comunista de 1935 (expressão forte escolhida a dedo para apavorar) foi inexpressiva trapalhada cuja principal consequência histórica foi introduzir sobre nossas cabeças risco de implantação por aqui de regime comunista, um "bicho papão" ainda hoje acionado - e acreditado - em alguns momentos da vida nacional, geralmente com torpe e baixo propósito de tentar afrontar ou suprimir as instituições democráticas. Risco falso, remoto e improvável.

Nesse nosso lado do mundo, ainda que com taxas oscilantes, a convivência democrática prevalece, muito embora às vezes ocorram tentativas de quebra da ordem jurídico-constitucional em favor de sistemas ditatoriais. Todavia, numa visão geopolítica fria e isenta, a implantação de regime marxista nestas nossas plagas está muito próxima da mesma possibilidade que tem um avião monomotor de levantar voo de nosso Aeroclube e descer na lua. Vale dizer, risco zero, com capacidade de amedrontar inexpressiva minoria de mal informados ou ingênuos.

Hoje a preocupação da comunidade nacional responsável - e isso é realidade recente - diante de quadro tenso de polarização política, é a existência de imenso contingente de cidadãos brasileiros que permanece inerte e à margem do processo político nacional, sem nada aspirar, participar ou pretender além da sobrevivência com o conforto possível enquanto sonham e esperam pela chegada de falsos salvadores da pátria que resolvam nossos problemas. E isso realmente assusta. E muito.

O caminho para superação desse quadro preocupante passa pela ideia de cidadania, qualidade pessoal de participar e influir nas ações de governança em todos os níveis federativos e recomenda que os esforços da comunidade nacional responsável se dirijam para alargá-la infinitamente objetivando transformar massa silenciosa e inerte em forças políticas militantes e organizadas.

Esse esforço depende de iniciativas dos partidos políticos, democratizando suas estruturas, eliminando gestões caciquistas e incentivando alistamento e militância partidária como a forma mais nobre de exercício da cidadania. E dependerá em sequência tão lógica quanto natural do surgimento de lideranças influentes, autênticas e organizadas com aptidão para atrair e motivar num universo hoje inerte e silencioso, novas forças para militância política.

Essa é a forma, sonhada e natural, de aprimorarmos nossa democracia incentivando participação política e o exercício da cidadania, banindo definitivamente de nossas vidas a medíocre e idiota espera por novos salvadores da pátria. Existem sonhos que demoram tempos para acontecer.

Mas eles são os melhores, sem dúvida!

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