REABILITAÇÃO

Programa científico projeta próteses com impressão 3D

Por Larissa Bastos | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Larissa Bastos
Voluntários Leonardo Fazan, engenheiro de materiais; Thabata Ganga, engenheira biomédica; e Meverick Jeampierre, artista
Voluntários Leonardo Fazan, engenheiro de materiais; Thabata Ganga, engenheira biomédica; e Meverick Jeampierre, artista

Programa científico da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o Mao3D, tem o objetivo de fornecer próteses, órteses e tecnologia assistiva de forma gratuita e personalizada, por meio de impressões 3D, para crianças e adultos com deficiência nos membros superiores de todo o Brasil. Por conta do seu impacto positivo na vida das pessoas atendidas, voluntários do projeto participam do 20.º Congresso Brasileiro de Biomecânica, que ocorre até sábado (22), na Unesp de Bauru.

Fundado pela Prof.ª Dr.ª Maria Elizete Kunkel, o Mao3D já reabilitou mais de 40 pessoas. No Congresso, o programa terá um simpósio sobre 10 anos de próteses mecânicas de membro superior em impressão 3D e ainda apresentará os trabalhos feitos em próteses de mama e de dedo, órteses e periférico de computador, além de medidas perineais em mulheres grávidas.

"Hoje, todos os que atuam no Mao3D são voluntários e investem seu tempo por paixão, buscando promover a inclusão e acessibilidade para pessoas com deficiência. Assim, conseguimos atender cerca de 20 pessoas por ano, incluindo fornecer a prótese e órtese e o acompanhamento da equipe multidisciplinar. Mas, se tivéssemos o fomento financeiro adequado, poderíamos atender até 675 pessoas por ano", explica a engenheira biomédica Thabata Ganga, integrante do projeto sem fins lucrativos.

Já o engenheiro de materiais Leonardo Fazan e o artista peruano Meverick Jeampierre, também membros do Mao3D, explicam que um dos diferenciais do projeto é a rapidez com que as próteses são desenvolvidas, mesmo sendo personalizadas para as necessidades específicas de cada usuário.

"Uma prótese tradicional leva em torno de seis meses para ser fabricada, e ainda é feita em larga escala, com uma medida padrão que, muitas vezes, não funciona para todas as pessoas. Mas nós conseguimos desenvolver uma prótese dentre uma semana até um mês, o que permite a rápida reabilitação do usuário", detalha Fazan, destacando ainda que o valor é bastante inferior. "Uma tradicional custa cerca de R$ 25 mil, enquanto uma do projeto, já incluindo o trabalho da equipe multidisciplinar, custa aproximadamente R$ 7 mil", completa.

Além disso, ele complementa que, no Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) não concede próteses de membro superior infantil porque as crianças crescem rápido e logo não conseguem mais usar o equipamento. "Na impressão 3D, como o custo é baixo em comparação às próteses tradicionais e a produção é rápida, também conseguimos reabilitar crianças", adiciona Fazan.

SERVIÇO

Os interessados em obter prótese para membros superiores por meio do Mao3D devem preencher o formulário disponível em http://www.mao3d.com.br.

VAQUINHA

O Mao3D foi selecionado para realizar um intercâmbio tecnológico na Universidade de Ciências Aplicadas de Bocholt, na Alemanha. Lá, será possível aprender a desenvolver próteses mais avançadas e acessíveis, ampliando ainda mais o impacto social do programa.

Para custear a viagem, será necessário R$ 35 mil. Doações podem ser feitas pelo: http://www.kickante.com.br/vaquinha-online/mao3d-na-alemanha.

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