SOS ESCOLAS

Escola tem violência, prefeitos se mobilizam e mães se unem

Por Tisa Moraes e Lilian Grasiela | da Redação
| Tempo de leitura: 6 min
Arquivo pessoal
Ana Júlia também defende que as diretoras de escolas passem a ter acesso, em tempo real, às imagens das câmeras de segurança
Ana Júlia também defende que as diretoras de escolas passem a ter acesso, em tempo real, às imagens das câmeras de segurança

Apreensivas diante dos sucessivos ataques mortais e ameaças de massacre em unidades de ensino no País, duas mães, com ajuda de uma terceira, criaram o grupo SOS Escolas, em Bauru. Só no WhatsApp, a mobilização já aglutina mais de 1,1 mil pais de alunos das redes de educação municipal e estadual, sendo que uma segunda comunidade foi formada e já conta com cerca de 100 membros.

Formado há menos de uma semana, o grupo, representado por uma comissão, terá uma reunião com o Conselho Municipal de Educação na manhã desta terça-feira (11) e, ontem, entregou ofício na Câmara Municipal para solicitar a realização de uma audiência pública.

Ana Julia Sandrin, que é mãe de aluno de uma escola municipal e pertence ao Conselho Escolar da unidade, conta que foi procurada por outras duas mães, Queren Hapuque Gomes Milani e Denise Correa Barbosa Rosa da Silva, a fim de ajudá-las a organizar uma mobilização. O grupo de WhatsApp foi criado no último dia 5, na mesma data em que um homem invadiu uma escola de Blumenau (SC) e matou quatro crianças.

"O movimento de pais tomou uma proporção grande e começamos a discutir sobre o que é possível fazer para conter esta onda de violência. E sabemos que um dos primeiros passos é, justamente, envolver os pais, para estarem mais presentes nas escolas, serem parceiros. Só assim terão condições de entender os problemas registrados nestes locais", descreve.

Ela diz, ainda, que lideranças do grupo estão em contato com diretores, professores e demais funcionários com o objetivo de identificar quais medidas eles avaliam como necessárias para superar este momento e saber o que acham, por exemplo, de iniciativas como o 'botão de pânico', anunciado pela prefeita Suéllen Rosim. "Tem mães de autistas preocupadas se ele será um sinal sonoro, o que pode deixar estes alunos ainda mais assustados", pondera Ana Júlia.

SEGURANÇA

A prefeitura também divulgou que uma empresa fará a vigilância de 32 escolas municipais a partir de maio e que policiais militares em atividade delegada já estão reforçando a segurança no entorno das unidades. "Precisamos, ainda, de treinamentos específicos para toda a comunidade escolar aprender como agir em uma situação de emergência", frisa.

Ana Júlia também defende que as diretoras de escolas passem a ter acesso, em tempo real, às imagens das câmeras de segurança, hoje controladas pela empresa terceirizada que presta o serviço de videomonitoramento. E, no longo prazo, entende que a prefeitura e o Estado terão de investir mais em infraestrutura.

"Hoje, por exemplo, as escolas municipais são cercadas por alambrado e já recebemos muitas denúncias de homens na rua mexendo com crianças que estão do lado de dentro. As unidades precisam ser muradas", avalia. Ainda entre as primeiras bandeiras do SOS Escolas, está a implantação de atendimento psicológico e de assistência social nas escolas públicas.

CAMINHADA

No próximo sábado (15), integrantes do SOS Escolas farão uma Caminhada pela Paz, no Calçadão da Batista de Carvalho. A concentração será n Praça Rui Barbosa, às 10h30, com roda de conversa sobre a necessidade de os pais estarem mais presentes nas unidades de ensino para que o atual momento possa ser superado. Em seguida, os participantes seguirão até a quadra 5, em silêncio, em homenagem às crianças mortas dentro de escolas. Além de dois grupos de dois grupos de WhatsApp, o movimento também conta com uma página no Facebook chamada SOS Escolas (http://www.facebook.com/profile.php?id=100091325966493).

ALUNO FERE COLEGA COM FACA EM ESCOLA E CIDADES ANUNCIAM REFORÇO NA SEGURANÇA

Além da agressão, registrada em uma instituição de ensino estadual em Reginópolis, estudante ameaçou a vice-diretora

Reginópolis - Aluno de 13 anos levou uma faca na mochila e feriu um colega da mesma idade na Escola Estadual Professor Carlos Correa Vianna (foto no final), no Centro de Reginópolis (70 quilômetros de Bauru), na manhã desta segunda-feira (10). Ele também ameaçou a vice-diretora. O caso foi registrado como lesão corporal e ameaça. Em meio ao aumento da sensação de insegurança no ambiente escolar, cidades da região anunciaram reforço policial na porta das escolas (leia mais abaixo).

Segundo o registro policial, o adolescente atacou o colega de classe ferindo-o superficialmente no antebraço. Após a vítima acionar a coordenação e a direção da escola, dirigentes escolares foram até a sala de aula, chamaram o adolescente suspeito e este ainda fez ameaças a uma vice-diretora, colocando a mão em seu pescoço e fazendo menção de atacá-la com a faca, segundo BO.

Após a intervenção, aos gritos, da coordenadora da escola, o adolescente abaixou a arma, que lhe foi tirada da mão, e se afastou, dizendo: "É brincadeira, não vou fazer nada, não". A Polícia Militar (PM) foi chamada e o aluno foi conduzido à delegacia, acompanhado dos responsáveis, para o registro do boletim de ocorrência (BO). No fim da tarde, a Justiça determinou a internação dele por 45 dias na Fundação Casa.

Em nota, a Secretaria da Educação do Estado informou que repudia todo e qualquer ato de violência dentro ou fora das escolas. "A equipe gestora tomou todas as providências, acionando e orientando os responsáveis dos alunos envolvidos. A Ronda Escolar estava no momento e auxiliou no encaminhamento da ocorrência. As aulas não foram suspensas. O aluno que foi atingido de raspão não precisou de atendimento médico", disse.

"A Seduc ressalta que as escolas da rede estadual estão atentas aos comportamentos dos estudantes, atuando com a escuta ativa e mediação, buscando solucionar os conflitos identificados", completa, por meio da equipe Conviva SP.

CONTRA ATAQUES, MUNICÍPIOS INVESTEM EM TECNOLOGIA E VIGIAS

Ontem pela manhã, o prefeito de Reginópolis, Ronaldo Correa, anunciou medidas para reforçar a segurança nas escolas municipais, como contratação de seguranças, aumento da altura dos muros e compra de detector de metais. Ele também se colocou a disposição para apoiar iniciativas semelhantes nas escolas estaduais.

A Prefeitura de Santa Cruz do Rio Pardo (90 quilômetros de Bauru) divulgou que, a partir desta terça (11), todas as creches municipais contarão com apoio de seguranças contratados. Já as escolas municipais terão reforço da Polícia Militar (PM), através da atividade delegada, com seis policiais militares nas rondas, que já acontecem diariamente.

O município também lançou um canal de WhatsApp para denúncias sobre possíveis ameaças e ataques contra as escolas. O número é o (14) 99738-7606 e as identidades dos denunciantes serão mantidas em sigilo.

Em Iacanga (50 quilômetros de Bauru), desde ontem, a Prefeitura reforçou a segurança nas cinco unidades escolares, com presença de vigias municipais, restrição do acesso a alunos e funcionários e reforço nas rondas da PM, por meio da atividade delegada. O Executivo também estuda implantar uma sala para monitorar todas as escolas.

Em Jaú (47 quilômetros de Bauru), a Prefeitura autorizou a compra de equipamentos de videomonitoramento para instalação em todas as creches e escolas municipais. Desde a semana passada, as unidades ficam com portões fechados durante as aulas e a PM reforça as rondas nas imediações dos prédios.



Ocorrência na Escola Estadual Professor Carlos Correa Vianna mobilizou a Polícia Militar (crédito: Google/Reprodução)
Ocorrência na Escola Estadual Professor Carlos Correa Vianna mobilizou a Polícia Militar (crédito: Google/Reprodução)

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