A Microsoft lançou no Brasil os óculos Hololens 2, capazes de projetar hologramas interativos. O dispositivo chegou às prateleiras no último dia 22 de março, a US$ 10.973 para a versão industrial e US$ 7.729 (R$ 40.529) para a comum, com promessas nas áreas de indústria, saúde e educação.
A tecnologia já é usada pela Embraer, por exemplo, para assistência remota. Vídeo apresentado pela empresa aeroespacial mostrou funcionários recebendo instruções à distância para consertar uma turbina de avião. O técnico que auxiliava remotamente podia enxergar o que era visto pelo colega, projetar manuais, desenhar setas e manter comunicação em tempo real.
O lançamento chega ao país com quatro anos de atraso. O aparelho está disponível nos EUA desde 2019 a preços a partir de US$ 3.500 (mais de R$ 15 mil). No Brasil, é possível encontrar o dispositivo importado, em marketplaces, por valores acima de R$ 34.900 para o modelo comum. De acordo com o diretor de produto da Microsoft, Marcondes Farias, os óculos estavam prontos para lançamento no Brasil em 2021, mas a pandemia atrasou o anúncio.
Os óculos de realidade virtual para uso recreativo oferecidos por Meta e Sony saem por menos de R$ 5.000 no Brasil. A reportagem testou o modelo básico das Hololens 2. A holografia fica restrita ao campo de visão central, o que limita a imersão, mas diminui a exaustão durante o uso do aparelho.
A curva de aprendizado para usar o dispositivo é simples, e a interface é a mesma do Windows em computadores pessoais. A interação com projeções com dedos lembra as cenas do filme Minority Report (2002). A Microsoft também vai oferecer treinamento para uso dos óculos às empresas que adquirirem o produto.
MEDICINA
A startup especializada em telemedicina e treinamento de profissionais de saúde PBSF usa a Hololens 2 para auxiliar remotamente profissionais de saúde quando crianças nascem com falta de oxigenação no cérebro quadro chamado de asfixia perinatal. Segundo o fundador da startup Gabriel Variane, menos de 10% dos médicos do país estão preparados para lidar com essa condição. Por isso, o foco da empresa é levar informação, em tempo real, aos profissionais de saúde e prevenir complicações. A asfixia perinatal pode deixar sequelas: paralisia cerebral, déficit cognitivo e deficiências de audição e visão.
Em UTIs neonatal não é permitido usar celular, por risco de contaminação. A experiência sem as mãos das Hololens 2 garante que o dispositivo possa ser usado nesse ambiente hospitalar.
O APARELHO
O modelo comum das Hololens 2 pesa 566 gramas. As lentes do dispositivo ficam a cerca de cinco centímetros dos olhos, o que permite o uso de óculos corretivos sem embaçá-los. O sistema de som, à altura da testa, entrega som claro aos ouvidos a partir de um sistema de distribuição espacial de ondas. A Microsoft promete autonomia de cerca de três horas para as baterias e permite conectar um powerbanking ao aparelho, para prolongar o período de uso. É possível acessar os pacotes corporativos Microsofts Dynamics 365 e Microsoft Azure com as Hololens 2 para assistência em tempo real e elaboração de guias similares a powerpoints multimídia. Com um QR Code ao lado de uma máquina, por exemplo, um funcionário pode acessar toda a documentação sobre aquele aparelho, para fazer reparos ou aprender a manuseá-lo. O acesso de parte dos softwares requer acesso à internet via rede wi-fi. De acordo com a Microsoft, é possível adaptar linha de produção com a produção de guias para trabalho desconectado à rede. A big tech pretende adicionar aplicações de inteligência artificial, como as disponíveis no buscador Bing, para gerar imagem, texto e vídeo aos aplicativos das Hololens 2. A versão nacional das Hololens 2 vão ser distribuídas por Ingram e SMLIT em todo o país.