REESTRUTURAÇÃO

Governo vai arcar com maior parte do rombo, prevê pacote da Emdurb

Por André Fleury Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Pedro Romualdo/Câmara de Bauru
Reunião, ontem, na Câmara Municipal de Bauru detalhou projeto de lei com os vereadores
Reunião, ontem, na Câmara Municipal de Bauru detalhou projeto de lei com os vereadores

O pacote de reestruturação da Emdurb, também chamado de "Pacotão da Emdurb", enviado à Câmara Municipal, condiciona o alívio financeiro da empresa a contratos e obrigações a serem arcadas pela Prefeitura de Bauru - em todos os aspectos.

A única medida que parte da própria Emdurb é a extinção de 32 cargos, divididos entre comissionados e funções de confiança. A medida deve gerar uma economia de R$ 1 milhão por ano aos cofres da empresa, segundo cálculos do governo, o que corresponde a menos de 10% do prejuízo acumulado anual. O déficit mensal da Emdurb hoje soma nada menos do que R$ 1,4 milhão.

De resto, todas as ações de reestruturação dependem do Palácio das Cerejeiras. A começar pelo próprio Plano de Demissão Voluntária (PDV), uma das apostas da Emdurb para equacionar as contas, mas cujas indenizações serão pagas com um aporte de R$ 3 milhões, valor que será repassado pela administração.

O presidente da Emdurb, Donizete do Carmo, afirmou ontem (4), em reunião pública na Câmara, promovida pelo vereador Coronel Meira (União Brasil), que há 181 funcionários aptos a aderir ao PDV. Se todos de fato seguirem por este caminho, a empresa garante uma economia de R$ 1,3 milhão mensais. Donizete estima que pelo menos 50% dos 181 colaboradores participem do PDV, mas admite que o número, na verdade, é incerto. "É óbvio que o PDV pode fracassar e a aposta da Emdurb ir por água abaixo", salientou o vereador Meira, que organizou a reunião enquanto presidente da Comissão de Justiça da Câmara.

PACOTE

Um dos projetos que compõe o "pacotão da Emdurb" prevê a injeção de R$ 20 milhões da prefeitura à empresa pública. Para além dos R$ 3 milhões do PDV, outra cifra de valor igual será destinada ao pagamento com fornecedores - a chamada "dívida flutuante".

O restante, R$ 14 milhões, será única e exclusivamente utilizado para garantir o pagamento dos débitos da Emdurb com a Receita Federal. A dívida hoje está parcelada em valores mensais de R$ 675 mil e compromete o orçamento da empresa até 2028.

Outra aposta da Emdurb está nos regimes de contrato. A empresa quer alterar a atual formalização - de prestação de serviços - e pretende assinar dois convênios com a Prefeitura Municipal de Bauru.

Um se refere ao gerenciamento das questões relacionadas ao trânsito. A Emdurb já realiza o serviço hoje, mas é contratada em regime de prestação de serviços e só recebe valores no prazo determinado em contrato.

O convênio dá aval para que a prefeitura forneça "socorro" às questões mais urgentes da empresa e não inclui as centenas de cláusulas geralmente previstas nos contratos de prestação de serviços. Na prática, a Emdurb vai prestar contas do que realizou e receber a partir disso. O mesmo raciocínio se aplica ao segundo convênio preterido pela empresa, de gerenciamento do aeródromo municipal.

A empresa municipal argumenta que, da maneira como estão, os contratos de prestação de serviços são deficitários e geram prejuízo a seus caixas.

"Esses projetos demonstram que a prefeitura está empenhada em fazer alguma coisa contra o rombo na Emdurb. Mas o fato é que a administração, dona da empresa na prática, terá de arcar com as custas. A verdade é que os cinco projetos que chegaram não resolvem completamente o problema. Creio que virão outros", afirmou Meira ao JC, ontem.

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