FATALIDADE

Família de homem morto por cerol pede justiça: ‘Foi um assassinato’

Por Larissa Bastos | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Arquivo pessoal
Francis Vieira da Silva era operador de máquina
Francis Vieira da Silva era operador de máquina

Um motociclista de 45 anos morreu, por volta das 17h40 deste domingo (2), após ter o pescoço cortado por uma linha de pipa com cerol, no quilômetro 349 da rodovia Marechal Rondon (SP-300), na altura do Núcleo Gasparini, em Bauru. Segundo o boletim de ocorrência (BO), o caso foi registrado como homicídio. Diante da fatalidade, a família de Francis Vieira da Silva pede por justiça: "Estamos revoltados. Queremos que o culpado seja punido. Foi um assassinato", declara Rosângela Aparecida Genaro Hashimoto da Silva, esposa da vítima.

Durante o velório, realizado na tarde desta segunda-feira (3) no Centro Velatório Reunidas, Rosângela contou à reportagem que Francis estava voltando para Bauru para trabalhar, após celebrar o aniversário da sogra, em Guarantã. Ele atuava como operador de máquina rotuladora em uma empresa fabricante de bebidas, em Agudos.

"Minha mãe é paliativa e nós fomos vê-la porque não sabíamos se este seria o último aniversário dela. Nós fomos juntos de moto, mas eu decidi ficar para voltar mais tarde com meu filho, e ele voltou mais cedo para ir trabalhar à noite. Eu mandei mensagem, liguei, para saber se ele chegou bem. Mas ele não me respondeu. Tive um pressentimento ruim", detalha a esposa de Francis. Ela mencionou ainda que o pai dela e sogro da vítima faleceu em outubro do ano passado, vítima de câncer.

"Espero que o que aconteceu com ele sirva para termos uma legislação mais rigorosa em relação ao cerol e evitarmos outras vítimas. Quero que a justiça seja feita e que o culpado seja punido. Foi um assassinato. Por negligência e maldade, meu único e verdadeiro amor foi tirado de mim. Sentirei saudade a cada batida do meu coração", completa Rosângela, bastante emocionada, amparada pela irmã, Patrícia Genaro Hashimoto.

Francis foi sepultado ontem, no Cemitério Municipal de Pirajuí, e, além da esposa, deixou o filho Rafael Genaro Hashimoto Anastácio, de 24 anos.

INVESTIGAÇÃO

Segundo o delegado Eduardo Herrera, da Central de Polícia Judiciária (CPJ), que preside o inquérito policial, a investigação atuará para identificar o proprietário da linha com cerol, e verificar se o mesmo tem mais de 18 anos. "A princípio, o caso é apurado como homicídio culposo. Porém, a depender das evidências coletadas no inquérito, pode ser que a tipificação mude para homicídio com dolo eventual", explica.

Além de responder criminalmente caso alguém se machuque, o uso do cerol - mistura entre cola e vidro - e de qualquer outro material cortante em linhas de pipa é proibido em São Paulo, de acordo com a Lei Estadual 17.201/2019, que prevê multa para quem for flagrado com o item ilegal.

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