A bordo de uma embarcação considerada clássica, fabricada em 1963, o empresário bauruense Eric Quaggio Salmen, 37 anos, transformou adrenalina em foco para concluir, no sábado passado (25), a 5.ª Regata Bracuhy, uma das principais do País e que acontece desde 2017 em Angra dos Reis (RJ).
Ele, que aprendeu a velejar do Rio Tietê, ficou com a incumbência de regular velas, fazendo com que o barco "Uh La La" - do modelo "Sea Spirit" - completasse a prova. Também nas águas, aprendeu a interpretar fenômenos meteorológicos e as próprias emoções para tirar o melhor proveito.
Sendo assim, acompanhou atentamente a contagem regressiva, via rádio, enquanto preparava seus nervos para percorrer oito milhas náuticas na embarcação de mais de nove toneladas. Se o sal do mar, o sol escaldante e o som das ondas contra o casco parecem relaxantes, o cenário, naquele momento, era de tensão.
Poucos minutos depois do meio-dia, a bandeira verde indicou a largada - momento que, segundo ele, é o mais complicado da competição. "A maior chance de colisão transforma a largada no momento mais tenso. Largamos muito bem e vimos os competidores que ficaram para trás colidindo entre si", conta.
Eram 107 embarcações, de diferentes tamanhos, enfileiradas lado a lado. A proximidade entre elas aumenta a possibilidade de batidas que, consequentemente, podem penalizar os envolvidos e custar uma colocação ou a prova inteira.
Eric atuou naquela regata como "trimmer" e "tático", duas funções essenciais para o bom desempenho do veleiro na competição. A primeira consiste basicamente na regulagem das velas. Usando catracas e cordas, o responsável deve ajustar o ângulo do tecido que impulsiona a navegação para aproveitar ao máximo os ventos oceânicos.
"É preciso estar atento às condições meteorológicas para usar melhor o barco. A todo momento, é necessário observar o vento, mudar as velas e repensar as estratégias", narra Eric.
O tático, por sua vez, deve estar atento às mudanças do vento e da direção em que o veleiro segue para orientar as manobras do timoneiro - função ocupada pelo uruguaio Augusto G. Mendez, o comandante da "Uh La La", que o convidou para compor a tripulação durante a regata.
A terceira integrante foi Patrícia Barreto Leiva, também Uruguaia, que atuava como proeira, a responsável por cuidar da preparação de velas.
SAÍDA
Apesar da tensão da largada, a equipe conseguiu finalizar a prova em três horas, 11 minutos e 34 segundos e se destacou no início da competição: "A gente largou em primeiro, mas é impossível de manter", afirma. De acordo com Eric, a maior dificuldade nessas competições, na verdade, é completar o percurso.
A 5.ª Regata Bracuhy foi organizada pelo grupo Velejadores do Bracuhy e contou com o apoio da Prefeitura de Angra dos Reis. Foram mais de 600 velejadores, incluindo crianças menores de 10 anos e um bebê com 1 ano e 10 meses. No fim do dia, os participantes puderam comemorar em um churrasco comunitário: o Churrascuhy.
A competição foi um marco para o empresário bauruense que já pratica a vela oceânica há 10 anos, visto que é uma das maiores regatas do Brasil. Eric começou a velejar aos 14 anos na Sede Náutica do Bauru Tênis Clube, onde aprendeu os fundamentos como "velejador do interior". Foi só anos mais tarde que ele passou a navegar no mar e, atualmente, comanda embarcações para turistas que querem uma experiência com esse tipo de navegação.