OPINIÃO

Canal não aproveitado

Por Professor Joaquim Eliseo Mendes – Membro efetivo da ABLetras, cadeira 29 |
| Tempo de leitura: 4 min

Não me refiro a um canal de água, mas à escola, este veículo de comunicações, informações e cobranças à respectiva família e, em segunda instância, à comunidade em que está inserida, tão eficiente como o rádio e a televisão e ainda não descoberto e considerado como tal e, consequente e infelizmente, não aproveitado.

As verdadeiras e irrefutáveis assertivas que todos conhecem e apregoam de que "a sociedade do futuro depende da educação do presente"; "o futuro de um povo depende do que é a escola atual" e muitas outras, levam-nos a pensar sempre em tempos do futuro e consequentemente tirando-nos a visão da escola do presente, da atualidade, do dia a dia. Quem é avô, avó, pai e mãe sabe muito bem como as crianças e adolescentes cobram principalmente dos pais sobre aniversários, roupas, outros eventos e, principalmente, avisos e pedidos feitos pelos seus professores; muitas solicitações atinentes à rotina escolar e, lamentavelmente, raríssimas informações sobre a comunidade e sociedade global. Pois o aluno, independentemente do seu aproveitamento, apresenta a característica de levar a sério os pedidos e recomendações do professor.

Sabendo-se desse inegável fato, os responsáveis e autoridades dos poderes públicos poderiam pedir e contar com a colaboração participativa da escola, para não dizer êxito, mas um melhor resultado em percentual de programações oficiais, tanto da união, estado e, principalmente, do município. Não digo como e nem pretendo sugerir, mas apenas apontar. Primeiro caso que cito como referência é o da vacinação, que tenho acompanhado assim como os leitores; das reiteradas informações, dos apelos e chamadas das unidades de saúde pelo rádio, jornal e televisão tendo em vista o desinteresse da população e dos pais da população-alvo, as crianças, ocasionando sobras e perdas de milhares de doses de vacinas.

Fato lamentável considerando-se que em virtude da extensão geográfica do nosso país, muitas famílias não tomam conhecimento e também da triste consciência que temos em relação a outros países pobres da Africa e de outras partes do mundo. E se os alunos, devida e seguramente informados e esclarecidos pelos professores, "cobrassem" dos pais "eu já tomei essa vacina?" ,"eu vou tomar vacina?". "A professora falou hoje da dengue, em casa tem água parada e nos vasos?". Sobre a separação do lixo: "Mamãe, a senhora separa o lixo da nossa casa em orgânico e reciclável?".

O caso mais gritante de desinformação na base e social com consequente insucesso e prejuízos por não atingir o objetivo estipulado e esperado foi o do último Censo Demográfico de 2022 realizado pelo IBGE, pois após sua conclusão recente, apurou na população de nosso país 40 milhões a menos da previsão estipulada pelo mesmo órgão federal.

Todos nós temos conhecimento de fatos lamentáveis ocorridos com os recenseadores em regiões de nosso país e também em Bauru. E segundo Bruno Dal Medico Hirsch, coordenador de área do Censo na região, em Bauru (JC, 4/1), foram recenseados 321.403 moradores e o IBGE estava até o seu encerramento à procura de 43 mil, gerando uma população irreal que traz inúmeros prejuízos em comparação a outras cidades e reivindicações junto aos governos.

De acordo com o que penso, antes do seu início deveria ter sido comunicado às escolas através dos órgão superiores da Educação com dois objetivos: o de sua realização em nível nacional e solicitar sua divulgação e participação junto às escolas dos níveis fundamental e médio. A meu ver, nossa escola vem tendo uma realidade alienada de valores e informações de grande relevância nas áreas da saúde e ambiental. O currículo das escolas deveriam prever espaços para informações e chamadas de interesse da comunidade e da sociedade toda que podem ser feitas e cobradas por todos os professores não havendo necessidade de especificidade.

De comunicações que não podem ser político religiosas tendo em vista a laicidade da escola pública. O aluno não tem como colocar a escola no mundo real porque cabe às autoridades respectivas determinarem, encarecendo as necessidades e aos professores, com as lideranças que exercem, passarem aos alunos.

Está havendo uma preocupação muito grande em preparo para vestibulares, robotização, estudos e lições online, inteligência artificial que vem chegando e uma verdadeira alienação em relação à saúde do próprio aluno que pode ser uma vítima inocente e também dos pais, todos integrantes da sociedade.

Finalizo esta matéria formulando a seguinte e talvez considerada incabível ou inocente ou inoportuna pergunta: o que está sendo feito em relação à impiedosa dengue que está ceifando vidas? É preciso que a escola caia na realidade.

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