ENTREVISTA

Entrevista da Semana com Moises Egert, o novo técnico do Noroeste

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Bruno Freitas
Moises Egert tem 45 anos. Ele foi o responsável por reabrir os caminhos do Noroeste neste início de temporada
Moises Egert tem 45 anos. Ele foi o responsável por reabrir os caminhos do Noroeste neste início de temporada

ELE QUER ABRIR O CAMINHO À SÉRIE A1

A Bíblia conta que o profeta Moisés abriu o Mar Vermelho para a saída dos hebreus do Egito rumo à terra prometida. Já em Bauru, Moises Egert, 45 anos, foi o responsável por reabrir os caminhos do Noroeste neste início de temporada. Desde que ele vestiu a camisa vermelha e branca como o novo técnico do time, em 26 de janeiro, já são sete vitórias, dois empates e uma derrota em dez jogos, o que fez com que o Alvirrubro avançasse da 14.ª para a 3.ª posição na tabela da Série A2 do Campeonato Paulista, com chances de alçar à primeira divisão.

"Começamos a sonhar alto e essa sequência de vitórias acendeu a esperança em todo mundo", diz ele. Nascido em Caxias do Sul (RS) e criado em São Borja, Egert é filho de um jogador de futebol, também chamado Moises, já falecido, e da dona de casa Clara Lizete.

Por influência do pai, deu os primeiros passos no mundo da bola e, desde os 15 anos, não parou mais. Iniciou a carreira como meia e passou a jogar como centroavante, tendo atuado em diversas equipes, até se tornar treinador, em 2009. E, logo de partida, anotou seu primeiro triunfo, ao levar o XV de Piracicaba, com problemas na Série A3, até a primeira divisão.

Casado com Márcia Casini e pai de Júnior, que lhe deu os netos Valentina e Filipo, e de Izabela, Moises conta, nesta entrevista, como concilia vida pessoal com trabalho, as dificuldades em comandar uma equipe de cerca de 40 pessoas e relembra os momentos marcantes de sua trajetória dentro do futebol. Leia os principais trechos.

JC - Como você avalia esta guinada do Noroeste em apenas 40 dias?

Moisés - Eu estava em um momento difícil da minha carreira. Meu contrato com o Botafogo da Paraíba, um clube grande do Nordeste, havia sido rescindido, mas, logo depois, a diretoria do Noroeste fez contato. Desde minha saída do Norusca, em 2012, acompanhei o trabalho da equipe e sabia que, profissionalmente, era importante eu estar aqui. E, junto com jogadores e equipe técnica, alcançamos um resultado maravilhoso, que nem o mais otimista imaginava. Sempre digo aos atletas que sonhar alto ou sonhar pequeno demanda o mesmo esforço. Então, começamos a sonhar alto e essa sequência de vitórias acendeu a esperança em todo mundo.

JC - O que fez a diferença entre este início de ano duro no Nordeste até esses últimos dias tão bem-sucedidos?

Moisés - Comando um grupo sem vaidade alguma, que trabalha demais, tem aceitado as exigências, as propostas de estratégia. Não temos uma estrela hoje. O que faz o Noroeste forte é a consistência do coletivo. E estamos em um ambiente feliz. Tenho uma comissão técnica fenomenal, pessoas muito capacitadas. E também tenho uma relação boa com os atletas, um grupo de homens de muito caráter, que buscamos melhorar em todos os níveis: técnico, tático, físico e mental. Trago confiança para eles através de trabalho.

JC - Quantas horas trabalha por dia? E como faz para conciliar vida profissional com a pessoal?

Moisés - É comum eu chegar às 7h30 e sair às 20h. É um trabalho que demanda muito: precisa fazer análise do próximo adversário, dos jogos da sua equipe, comandar os treinos, gerir departamentos. No mês passado, por exemplo, fui no casamento da minha filha de manhã, em Piracicaba, e, à noite, estava no jogo do Noroeste contra o Novorizontino, em Novo Horizonte. Felizmente, pude entrar com ela na igreja. Mas o esporte profissional requer muita renúncia e, por isso, só vale a pena abrir mão de certas coisas se for para fazer um trabalho de excelência. Já nas horas vagas, gosto de ficar com a família fazendo coisas simples, como tomar um café da tarde, ir ao cinema, ao shopping, fazer uma caminhada, fazer churrasco - como um bom gaúcho -, e sair à noite com a esposa.

JC - O fato de seu pai ter sido jogador de futebol, por certo, o influenciou a seguir na carreira.

Moisés - Sim. Saí de casa com 15 anos para jogar na categoria de base do Juventude (RS) e, dos 20 ao 30, atuei como jogador profissional. Passei por times como Esportivo, Paraná Clube, Chapecoense, até vir para o XV de Piracicaba, em 2002. Foi nesta cidade onde conheci minha esposa e, até hoje, minha base familiar está lá. Joguei por vários times do Interior, como Barbarense, Monte Azul, Inter de Limeira, além de Marathón (Honduras) e o último, Porto Alegre Futebol Clube, da segunda divisão, à época. Tive condromalácea femuropatelar (desgaste da cartilagem na região do joelho) e parei em 2007.

JC - E como conseguiu fazer a transição para atuar como técnico?

Moisés - Quando parei de jogar, tive a oportunidade de trabalhar com escolinha de futebol, em Piracicaba. Enquanto isso, fazia contato com a diretoria do XV de Piracicaba, pedindo uma chance. No início de janeiro de 2009, me chamaram para treinar goleiros da base. Depois de três dias, o gerente Paulo Moraes, que era da época em que eu jogava, veio conversar comigo. No dia seguinte, ele perguntou se eu estava pronto para ser auxiliar técnico no time profissional. Eu só perguntei em qual dia era para eu me apresentar. E foi na segunda-feira seguinte. No fim de 2009, eu já era técnico interino. Em 2010, assumi o comando do XV, que estava na A3, e saí em 2012 com o time na série A1. Foi uma grande campanha. Aí, vim para o Noroeste em 2012 e fomos campeões da Copa Paulista.

JC - E teve mais alguma passagem marcante como treinador?

Moisés - Passei pela Barbarense, Ferroviária, São José, Sertãozinho, Monte Azul, Velo, até acertar com o Linense, em 2015, quando fomos campeões da Copa Paulista. Em seguida, fui contratado pelo Mirassol, que foi meu outro 'case' de sucesso. Fiquei lá entre 2016 e 2019, revelando grandes atletas, com acesso da A2 para a A1 no Paulistão. Depois, passei pelo Novorizontino e, em Santa Catarina, pelo Marcílio Dias e o Barra, em que fomos campeões invictos na segunda divisão. No ano passado, priorizei ficar mais tempo com a família e parei, até aceitar o convite do Botafogo da Paraíba, onde fiquei por pouco mais de dois meses. Agora, graças a Deus, estou vivendo este grande momento no Noroeste.

Moises Egert no Estádio Alfredo de Castilho (crédito: Bruno Freitas)
Moises Egert no Estádio Alfredo de Castilho (crédito: Bruno Freitas)
Moises quando atuava pelo Club Deportivo Marathón, de Honduras, em 2006 (crédito: Arquivo pessoal)
Moises quando atuava pelo Club Deportivo Marathón, de Honduras, em 2006 (crédito: Arquivo pessoal)
Moises com a filha Izabela, a neta Valentina, a esposa Márcia, a nora Eloá e o filho Júnior (crédito: Arquivo pessoal)
Moises com a filha Izabela, a neta Valentina, a esposa Márcia, a nora Eloá e o filho Júnior (crédito: Arquivo pessoal)

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